Barahir olha distraído da sacada de sua torre em Cirith Durandir. Os pequenos Belril e Boromir, futuros senhores de Dol Amroth, brincam alegremente nos belos jardins…Parece ontem que há 350 anos ele enfrentara mano a mano Melkor, o senhor do mal nas terras imortais de Valinor. Sua longevidade, impressionante mesmo para os padrões de Gondor, é acreditada por sua inexplicável cura pelas mãos de Gandalf no círculo da lei, em Valmar.

Embora não sinta dores, a lembrança da massa de Melkor abrindo-lhe o peito taz uma leve tristeza. Mas as reminiscências de sua viagem desesperada a Lindon, que embora tenha terminado de forma completamente imprevisível, acabou trazendo finalmente a seu povo a paz que ele almejara, acalentam seu velho coração. Já nem se incomoda mais quando os menestréis cantam sobre como ele teria arrancado a cabeça de Melkor em um fulminante golpe de sua famosa espada negra.

Adruran, rei de Gondor, é lembrado como um dos maiores reis dos homens. Ele trouxe honra e progresso durante seu reinado. Reestabeleceu o principado de Dol Amroth colocando Barahir em seu lugar, e reestabeleceu o comércio de Gondor com os elfos, anões e numenorianos e trocou embaixadas com os homens do Leste e de Umbar. Egalmoth foi incubido da reconstrução de Osgiliath.

Adruran, tão logo sentiu que o reino estaria nas boas mãos de seu filho Elros Mormengil, renunciou em seu favor e voltou a navegar com seu velho barco, há muito que ele queria conhecer as terras do leste. Vez por outra, lendas de suas viagens chegam aos ouvidos dos homens.

Beregorn, seu velho companheiro, acabou voltando para Rohan. Encontrou conforto pelas tragédias de sua família nos braços de Halleth, sua filha, nomeada em homenagem a sua irmã, herdou a beleza da mãe e a perspicácia do pai. Durante seu reinado em Rohan, os Dunlendings pediram para serem aceitos no reino, que agora até se estendia aos limites do velho reino de Ardor. Seus herdeiros continuam até hoje ocupando com honra o trono de Edoras.

Elearassë e os elfos de Lorien aceitaram o convite de Finarfim e se mudaram com Galadriel para Valmar. As árvores das florestas imortais lhes lembrava dos alegres dias de Lórien. Os ents de Fangorn não quiseram acompanhá-los ainda esperavam que suas entwifes retornassem agora que a influência de Saurou se apagara. Aos poucos acabaram se calando com saudade de suas esposas e de Galadriel.

O banimento de Melkor levou ao fim de Sauron e seu anel, tão logo isso aconteceu, em Lindon, Frodo, sempre sob os cuidados de Elrond, acordou de seu longo pesadelo. Elrond ficou com ele em Lindon até sua morte, alguns anos depois. Partiu em seguida com seus filhos à Valmar, para se reunir com Galadriel.

Hwel permaneceu por alguns anos em Valinor, aprendeu muito e ensinou mais. Lá era conhecido pelo nome que Achardir lhe dera após Dagor Dagorath, Nelladringamar, Som do martelar da terra, quando admiravelmente deu o ritmo da canção dos povos livres. Foi tratado como um verdadeiro amigo e teve a honra de trabalhar com artífices que conheceram e trabalharam com o lendário Telchar de Norgrod. Mas um dia sentiu o chamado das montanhas e voltou à Moria. Lá se tornou artífice chefe de sua reconstrução e os salões de Moria pouco a pouco recuperavam sua antiga glória.

Durante a viagem de volta, Gerontius foi convidado por Vairë a ficar uns dias na Cabana das Brincadeiras Perdidas em Tol Eressëa, junto com suas crianças para cantar-lhe mais histórias do Shire. Nunca mais se soube dele, acredita-se que permaneça por lá até hoje na casa aonde o tempo não passa.

Achardir, logo após Dagor Dagorath, renunciou ao seu nome, Vingador em sindarin, e voltou a adotar o nome Gaerion: “Não vejo sentindo mais em vingança”. Ele cumpriu sua promessa a Maglore o levou a Mirkwood, que foi recebido como um filho prodigo, Maglor ficou conhecido como o elfo negro de Mirkwood, e muito ele ensinou aos súditos de Thranduil. Gaerion renunciou ao título de lorde protetor da floresta, que foi assumido por Legolas, e voltou a Numenor para para ajudar Ar-Pharazon e seus descendentes a repovoarem o outrora orgulhoso reino.

Arwën voltou com o grupo até Lindon e adotou o caminho humano para morrer com seu amado Aragorn. Os filhos de Dior se juntaram a Nestador para plantar as lágrimas de Yavannah. Eles reflorestaram o continente de Beleriand e a ilha de Numenor, aonde o comércio com o Gondor, logo levou a um enorme progresso.

Mas em geral os elfos continuaram a crescer em melancolia, agora mais rapidamente depois de terem ouvido alguns acordes das canção de Eru Iluvatar ao final de Dagor Dagorath, sua saudade dos Valar crescia rapidamente.

Um dia, há alguns anos, lembra Barahir, durante um belo amanhecer, toda Arda ouviu uma canção uníssona, um misto de alegria e conforto invadiu o coração dos homens como uma doce canção de despedida. A suave canção terminava por um verso que dizia: ‘Eru Iluvatar, teus filhos primogenitos saudosos, retornam à tua essencia, recebei-nos’. O silencio que se seguiu parecia paralizar o tempo.

Nunca mais se teve notícias de nenhum elfo a andar sob a luz do sol, mas a alegre lembrança de sua presença permaneceria por gerações.