Elearassë nasceu na floresta de Lothlórien e desde cedo sente um chamado que os separa dos demais elfos galadhrim, o desejo de explorar a Terra Média. Porém ao mesmo tempo tem um forte sentimento de lealdade à floresta e aos elfos de Lórien, o que o torna por muitas vezes um forasteiro dentro do lar.
Desde muito jovem, como forma de apaziguar sua vontade de estar sempre explorando logo se juntou a tarefas de caça e assim essa se tornou a sua principal tarefa por muitos anos, até que percebeu que apenas a caça não seria o suficiente para suprir sua vontade de conhecer novas paragens, assim decidiu explorar o que pudesse dentro dos limites de Lórien se tornando um exímio conhecedor da floresta, se preparando para partir para conhecer o resto do mundo.
A senhora Galadriel sentiu a diferença no coração de Elearassë e pediu ao jovem elfo para atuar como mensageiro, assim atuando em outras paragens na Terra Média, adotando o apelido de Elas passou muitos anos realizando missões para a senhora de Lórien. Após diversas missões ele decidiu que era hora de se juntar aos protetores da floresta e por algum tempo se juntou a tarefa de proteger suas fronteiras.
Em 3018(TA) Elearasse foi convocado novamente por Galadriel e enviado para o extremo sul da Terra Média. Galadriel teve uma visão em seu espelho de um grave perigo, que de alguma forma envolveria uma grande escuridão cobrindo o mundo. O espelho não deu mais detalhes, e ela pôde apenas entender que a ameaça ainda estava no futuro, e viria do sul.
Elas então saiu de Lórien aproximadamente quando a Companhia do Anel saía de Rivendell.
Sua viagem durou anos, guiado apenas pelas fracas pistas visuais que Galadriel conseguiu lhe dar. Ele passou pelos desertos do Haradwaith e chegou aos reinos bárbaros do sul, na região de Mûmakan. É de lá que vêm os Mûmakil, os grandes elefantes de guerra usados pelos Haradrim em seus exércitos.
Em Mûmakan, Elas descobriu pistas de um mal antigo, uma conspiração contra as Luzes do firmamento. Seguir esta pista levou ainda mais anos, e ele vagueou por muitas terras do sul e do sudeste da Terra Média, voltando afinal a Mûmakan.
Em uma ilha na baía Ûsakan, ergue-se uma fortaleza --- Ardinaak. Elas sabe que, nesta fortaleza, a Corte de Ardor, formada por servidores da Treva, prepara um ritual que mergulhará toda Endor --- todo o mundo --- na escuridão. Ele sabe ainda que estes servidores da Treva incluem elfos que se entregaram a Morgoth na Primeira Era do mundo, e que se mantiveram escondidos até recentemente.
Elas sabe, finalmente, que ainda falta algo para este ritual. Ele não sabe o que é --- mas ele descobriu que Curunír, o Feiticeiro Branco de Isengard, está em contato com a Corte de Ardor, e que pode ter a peça-chave.
Agora, os servidores da Treva estão em seu encalço, e ele percebe que a missão tornou-se grande demais. Hora de voltar a Lórien e relatar a Galadriel o que descobriu.
A volta teve que ser mais rápida que a ida, pois o tempo urge. Elearasse voltou pelo mar, como passageiro ou como clandestino, em vários navios Mûmakan ou Haradrim, até chegar a Umbar. Em seu caminho, ficou sabendo da Guerra do Anel e de seu fim, mas ninguém tem notícias de Lórien.
Em sua viagem mais recente, ele conseguiu passagem em um navio de contrabandistas indo para Dol Amroth, pois ele não pretendia desembarcar em uma região controlada pelos Corsários.
Elearassë teve notícias da guerra de 3018-3019 durante a viagem de volta. A queda de Minas Tirith era assunto conhecido, mas quase ninguém em Harad ouvira falar de outras terra ao norte, e ele conseguiu apenas rumores completamente desencontrados sobre Lórien. Sua apreensão aumentava com cada novo dia de viagem.
Ele desembarcou ao norte de Dol Amroth, em Edhellond. O local não foi escolha sua, mas do comandante do navio contrabandista no qual ele conseguira passagem. Elearassë visitara o belo porto de Edhellond há mais de dois mil anos, e o choque entre sua memória e as ruínas abandonadas caiu em sua alma como um presságio.
A pressa emprestou asas a seus pés, e ele deu a volta às Montanhas Brancas pelo vale do Anduin, de lá seguindo para norte pelas planícies de Rohan. Em seu caminho, ele evitava as vilas e cidades, mas sempre que podia parava em casas isoladas, e aproveitava para conversar com os moradores.
Aos poucos, a imagem dos acontecimentos de trinta anos antes foi-se desenhando. Gondor sofria indefesa ante a Treva, começando logo na outra margem do rio. Rohan tornara-se uma terra sem rei, com chefes de bandos guerreiros impondo a lei da espada. Elearassë não viu bandos de orcs, ou de outras criaturas da Treva; mas o clima geral era uma mistura de apreensão e desesperança.
A visão de Lórien, após tantos anos, deveria ter provocado uma canção em seu coração. Mas, mesmo de longe, Elearassë podia ver que a luz de Lórinand, o vale da luz dourada, estava apagada; as belas árvores de Cerin Amroth tinham sido derrubadas, e a colina de guarda apresentava seu solo ao sol de outono.
Entrar na floresta propriamente dita não foi uma tarefa fácil. Elearassë não viu guardas ou vigias; mas uma sensação de temor, de vigilância constante e malévola, abateu-se sobre ele desde que passou sob as árvores.
Mas esta sensação serviu, ao menos, para amortecer o choque quando ele chegou ao Naith de Lórien. Caras Galadhon já não existia. A seus ouvidos, os tocos de árvores queimadas ainda lamentavam, trinta anos depois, a morte dos últimos defensores de Laurelindórenan.
Elearassë sentia que não podia se demorar… mas não conseguiu afastar-se antes de examinar todo o solo no qual, antes, se erguera o coração élfico do mundo.
Após trinta anos, pistas já não havia para seguir. Os lamentos de vento, árvore e rocha aumentavam a sua dor, mas não forneciam informações úteis. O que teria acontecido com a Senhora dos Galadhrim?
Elearassë deixou Lórien para trás, e seguiu para o norte, demandando o Passo Alto para atravessar as Montanhas Nebulosas e ir a Imladris, em busca de Elrond. Lá, ele descobriu que a mão da Treva também havia se abatido sobre a Última Casa Acolhedora; mas ficou aliviado ao saber que Elrond e os seus haviam escapado para os Portos Cinzentos.
Para lá ele também se dirigiu, para tentar descobrir o paradeiro de Celeborn e de Galadriel.