O jovem Guibert sou eu jovem, achando-se um cavaleiro andante.
O velho Guibert sou eu hoje, vendo as loucuras da juventude.
O jovem tem que ser menos reflexivo em comparação com o velho. Mas nunca irrefletido.
Ampliar os textos escritos até agora. Este é o início de sua jornada, tem que ser detalhado.
Talvez fazer disso o primeiro livro, no mínimo a primeira parte.
É uma espécie de Dom Quixote. Ele desdenha das leituras de sua mãe, mas ele se comporta como nas histórias, em um momento no qual os ideais da cavalaria estão sendo postos definitivamente em xeque.
Apresentação
Para enviar a Lourdes e a Larissa.
Minha querida amiga, há algum tempo eu comentei que estava fazendo reconsiderações radicais a respeito do meu proto-romance Guibert. Hoje estas reconsiderações finalmente chegaram a um novo ponto de partida, e recomecei a escrever. Mando as duas páginas prontas a seguir, para que você veja quando puder, e me mande a sua preciosa opinião. Mas adianto, abaixo, as ideias que norteiam esta nova abordagem.
Eu estava bastante insatisfeito com a maturidade do protagonista. Quinze anos mal completados, e ele já apresentava a maturidade que muitos adultos nunca apresentam. Isso causava dois problemas estruturais: por um lado, é inverossímel; por outro, o personagem deixa de ter espaço para crescer na narrativa.
Há toda uma tradição literária de histórias de amadurecimento — em inglês, o gênero é chamado de coming of age. Mas, justamente, o protagonista precisa amadurecer, e isso não acontece se ele já começa maduro!
Junto à percepção destes problemas estruturais, eu tinha outras questões, desta vez ligadas à narrativa em si: quem estava escrevendo? e por que escrevia?
Sim, eu já sabia que o próprio Guibert escrevia — mas o Guibert de que idade? E por que — ou melhor, para quem ele escrevia?
Eu já havia feito algumas anotações a respeito destes dois últimos problemas, mas ainda não tinha atinado com uma solução satisfatória.
A solução apareceu durante a leitura de um livro escrito no século IX, por uma mulher nobre, como um manual de instruções para seu filho. Este é um notável exemplar de outro gênero literário, o dos espelhos para os príncipes — livros para a educação de jovens nobres. Os espelhos me deram a resposta ao “por que escrever?” — Guibert está escrevendo para seus filhos. Isso, por sua vez, me levou a determinar que ele já está idoso (no mínimo de meia-idade), e que está afastado dos filhos — porque, se estivesse próximo, falaria diretamente a eles.
Por sua vez, isto permite tranquilamente colocar o Guibert jovem como imaturo, pois posso usar o Guibert idoso para narrar e discutir a sua imaturidade. Então, esta ideia aponta um caminho para fora de todos os problemas que eu havia identificado.
Todo espelho começa com uma introdução, na qual o autor exorta seus filhos — ou seus pupilos — a seguirem seu exemplo. Foi isso que escrevi hoje, e que envio a você agora. Seguindo o estilo medieval, o autor se coloca como alguém pouco digno de cumprir este papel. Mas, como ele indica nos últimos parágrafos deste novo primeiro capítulo, o seu texto não vai seguir as formas habituais dos espelhos; será uma narrativa de fatos importantes de sua vida, acompanhadas pelos seus comentários.
Os mesmos eventos que você leu na versão anterior vão ser reescritos a seguir, mas eu vou ampliá-los; outro problema que eu identifiquei é que eventos importantes estavam acontecendo depressa demais. Espero cuidar disso nos próximos dias.
Minha amiga querida, agradeço profundamente o seu interesse pelo meu trabalho, e espero poder contar com seus comentários.
Planos
- Penso que vale a pena fazer Guibert encontrar manifestações dos sete pecados capitais, e das virtudes (três? quatro? sete? verificar datas). Por exemplo, a avareza de Philippe.
- Hm. Se eu conseguir associar os sete pecados aos Capetos, isso pode justificar uma futura revolta de Guibert. Talvez como templário…
- Ainda não sei se vale a pena fazer de Guibert um templário. Lugar-comum demais. Talvez um irmão leigo.
- Mas penso que Milon pode se tornar um personagem-chave em uma jornada na qual Guibert descobre que a história oficial do cristianismo esconde muitas camadas. Milon foi cruzado e conheceu a Terra Santa.
- Neste sentido, a obra se torna uma reflexão de Guibert sobre as questões metafísicas fundamentais. Isso casaria com a ideia de seus encontros com os pecados e as virtudes.
- Cap. 3. Guibert se dá conta de algumas enormidades. Prestou seu primeiro juramento, fez seus primeiros contratos. Milon e Raoul ajudam a fazer as contas. Talvez contratar um secretário? Jurou sobre a cruz de uma espada. Mais importante, já não é vassalo. Despedidas da família. Conselhos de Gilles e de Marie. Procurar a carta lida em acoup.
- Ao perceber as enormidades, Guibert acha que vai conseguir enfrentar a vida sozinho, apenas com a força de seu braço. Modelo da história do Gato.
- Agora, Guibert ganhou fama e vai ser desafiado.
A fazer
- fazer uma nota Obsidian com seus encontros com pecados e virtudes
- Léchelle
- Guibert se refere duas vezes ao rei Luís (Luís IX), mas não o chama santo. A história começa em 1284, doze anos antes de Luís ser canonizado. Mas preciso decidir quando Guibert escreve. Como Luís já era chamado santo mesmo antes de ser canonizado, não preciso decidir agora quando Guibert escreve.
- Palafréns eram cavalos valorizados. Preciso de um nome. Escolhi um nome: Ruade, que significa “coice”.
- Preciso antecipar a data do torneio. A festa de Saint Ayoul coincide com o início da feira. Mudei a cronologia. Saint-Ayoul é no dia 3 de setembro, um domingo. Isso quer dizer que Gilles falou com Guibert antes mesmo do casamento de Jeanne e Philippe, mas isso não é problema. Assim, o burgo de Provins usou o torneio como chamariz para a feira, e vice-versa.