Sempre converso com minha vizinha.

É uma bela palmeira. Quando bate o vento, as folhas se tocam, e eu as ouço de minha casa.

Eu achava que ela precisava do vento para me falar; demorei a entender que eu é que precisava do vento para ouvir o que ela me dizia.

Ela me fala de dia e noite, de calor e frio, de luz e escuridão, de aves e chuvas.

Eu falo a ela de dores e amores, de alegrias e temores, de olhares e sorrisos, de sussurros e gemidos, de beijos e carinhos.

Quando entendi que ela me fala mesmo sem o vento, também entendi que falamos das mesmas coisas.

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