Os jogos estão presentes na minha vida desde sempre. Éramos uma família de quatro irmãos e, portanto, nunca faltaram jogadores (risos). Desde pequena brincávamos muito com jogos em casa — de adivinhação, de cartas, de tabuleiro ou jogos inventados por nós. Costumo contar para meus amigos que tínhamos o hábito de folhear as páginas das enciclopédias competindo para ver quem acertava os nomes dos países daquelas bandeiras ou quais os nomes daqueles animais que só víamos nas gravuras dos livros de vida selvagem. Tudo era motivo para um joguinho. Anos mais tarde nos entretínhamos dizendo o significado de palavras aleatórias que escolhíamos no dicionário. “Vocês eram malucos”, ouvi algumas vezes. Mas posso dizer que era muito bom e garantia muitas risadas.

Brincadeira de Adedonha era uma das nossas favoritas e sem perceber, contribuiu no enriquecimento do nosso vocabulário. Mas também não faltaram inúmeras partidas de Dominó, Damas, jogos com as cartas do baralho, Jogo de Varetas, Mico Preto, Senha, entre outros.

Conforme crescíamos ganhávamos interesse por novos jogos: Banco Imobiliário, War I e II, Palavras Cruzadas, Detetive (que passou a ser o meu favorito). Me recordo também dos finais de semana que minha mãe jogava Batalha Naval com meu irmão usando aqueles bloquinhos de papel para desenhar os porta-aviões, encouraçados, destroieres, submarinos e de como ela se divertia com aquele jogo. Na época eu não sabia jogar, mas não perdia a oportunidade de “curiar” as jogadas deles. Muitos anos depois comprei o Batalha Naval da Hasbro e joguei algumas partidas com meu filho.

Fiz um curso de magistério e cheguei a dar aulas para o primeiro ano do ensino fundamental. Não segui a profissão, mas me recordo que os melhores momentos com meus alunos eram os jogos. Era gratificante ver como eles se soltavam naquelas horas e como desenvolviam sua capacidade de aprendizado de uma forma muito mais divertida e eficaz. Jogos são sociais, desenvolvem capacidade de raciocínio, estratégia, imaginação e concentração. Todas as escolas deveriam introduzir jogos para tornar o aprendizado mais prazeroso. Meu filhote aprendeu a jogar Xadrez no colégio e os benefícios foram imensos.

Tenho o privilégio de ter um irmão fascinado por jogos, que além de jogar tem o maior prazer em ensinar as regras para todos. Ele nunca deixou esse “vício” e tem uma turma boa de amigos que compartilham os mesmos gostos por jogos. Me acostumei a vê-los desde sempre reunidos em torno de um tabuleiro, com suas risadas, gritos de vitória, alguns palavrões e muita fome — quando eles se reuniam para jogar invariavelmente nossa geladeira ficava vazia…

Como é natural, esses encontros se tornaram mais escassos, mas essa turma se reúne até hoje. Admiro muito a amizade deles, forjada em muitas horas de jogatina e sempre que tive a oportunidade de revê-los foi muito agradável e compartilhamos boas partidas. Os jogos nos proporcionam isso, momentos de socialização, alegria e respeito mútuo, afinal nenhum jogador é igual.

Depois de casado, meu irmão manteve sua casa sempre de portas abertas para novos apreciadores de jogos. Guardo na lembrança dias felizes de extensas jogatinas, inclusive quando estava grávida. Eu e meu marido não falhávamos um final de semana sem visitá-lo para jogar. Em torno de uma mesa de jogos, podemos passar intermináveis horas de pura diversão.

Alguns meses após o nascimento do nosso bebê, voltamos a frequentar a sala de jogos dele e em meio a cartas, dados, meeples e jogadas estratégicas, intercalamos períodos de amamentação, trocas de fralda e banhos. Daquela época destaco alguns jogos que conheci e gostei muito: Carcassonne, Puerto Rico, Dixit, Citadels, Ticket to Ride, Ubongo, Werewolf, Pandemic e Shadows over Camelot. Quando tiver oportunidade quero voltar a disputar algumas partidas desses jogos. São mesmo muito bons.

Continuo uma fã de jogos de tabuleiro, e procurei proporcionar ao meu filho muitos momentos lúdicos pois entendo-os de fundamental importância no aprendizado e formação do caráter. Hoje ele tem 14 anos e continua um apreciador de jogos, mas é claro que dá preferência aos de computador, comuns à geração dele, mas garanto que ele não troca nenhum dos jogos virtuais por uma boa partida de um joguinho de tabuleiro com jogadores reais.

Moramos atualmente fora do Brasil, temos nossos jogos em casa (não tanto quantos eu gostaria) e alguns parceiros, mas confesso que vivo na expectativa da visita do meu irmão, trazendo uma mala de saudades (e muitos jogos, é claro!).