Nesses últimos anos, os jogos de tabuleiro se popularizaram. Empresas aqui no Brasil enxergaram esse mercado crescente e passaram a traduzir e trazer jogos de tabuleiro para o país. Muitas pessoas entraram no hobby (eu fui uma delas). Lojas, espaços e grupos foram criados. Eu gostaria de compartilhar aqui a história de como eu me “meti” nesse hobby e o que ele representa pra mim.

Desde que me entendo por gente, eu tive contato com jogos de tabuleiro. Não eram jogos tão sofisticados quanto os atuais mas, para mim, sempre representaram uma forma de me conectar com pessoas.

Quando pequeno, era uma conexão com meu pai. A partir de quando ele me ensinou o primeiro jogo (Xadrez), eu ficava esperando o fim do dia chegar e ele voltar do trabalho para jogar. Eu nunca fui um grande jogador, na verdade era até bem ruinzinho (rs), mas a graça estava mais em passar o momento com meu velho do que efetivamente buscar a vitória. Depois vieram outros jogos, como o Senha (Mastermind), Damas, jogos de cartas (Truco, Pife, Caxeta), dentre outros.

Em um segundo momento (aprox. entre 7 e 14 anos), eu me tornei o “catequizador”. Era eu que puxava os jogos para a mesa e ensinava-os aos amigos. E isso se tornou uma dinâmica diferenciada do nosso grupo. Gostávamos muito de conhecer diferentes títulos (War, Banco Imobiliário, Supremacia, Detetive, Scotland Yard, Interpol, dentre outros).

Em uma nova fase, troquei por alguns vários anos (entre meus 14-25 anos) os jogos de tabuleiro pelo RPG — um jogo que para mim era mais moderno, mais sofisticado, mais complexo e que ainda cumpria com o tema da “camaradagem”, da parceria com os amigos. E ele tinha o aspecto de (1) planejar (os personagens e aventuras) e (2) continuidade (ambos atributos que os jogos de tabuleiro não traziam). Infelizmente o RPG é um jogo que exige tempo e dedicação e, com o tempo, acabei voltando novamente para os jogos de tabuleiro.

Na faculdade, descobri que minha então namorada (atual esposa, Margareth) também gostava dos jogos e tinha esse hobby com o irmão. Isso nos conectou por horas e horas de passatempo pelos próximos anos. Ainda estávamos conectados pelos bons e tradicionais jogos de tabuleiro do mercado brasileiro, mas com novos títulos para mim também (Leréia, Pague para Ver, Rummikub, Coloretto, etc).

Uma das dinâmicas que tínhamos era de sempre visitar lojas de brinquedos para verificar os novos títulos de jogos. E foi numa dessas visitas que compramos o jogo “Colonizadores de Catan”. Ainda me lembro de abrir o jogo no carro e começar a ler o manual para que pudéssemos jogar logo! E nossa, que experiência reveladora. Era um jogo diferente, mais moderno. Depois compramos também o jogo Carcassonne que compartilhava um pouco dessa “vibe”.

Descobrimos a partir dali que existia uma miríade de jogos de tabuleiro “diferentões” como esses, mas infelizmente esses títulos não eram vendidos no Brasil. Então, após procurar e aprender como realizar uma importação, fiz uma primeira compra de lote de jogos modernos dos EUA em 2013. Jogos como SmallWorld, Power Grid, Cyclades, Ticket to Ride dentre outros. Foi incrível. Acabei descobrindo que um dos meus maiores prazeres no hobby é de conhecer jogos, aprender regras e ensinar para um grupo. Isso ajudou muito no meu desenvolvimento pessoal e até profissional.

Bem, de lá pra cá (2013 a 2022), tivemos contato com aprox. 1100 jogos diferentes, quase 300 expansões, mais de 3000 partidas, fomos para a 2ª maior feira de Board Games do mundo por 2x (Gencon nos EUA), outras feiras aqui no Brasil e quiçá este ano visitaremos a maior de todas (a Spiele, na Alemanha).

Hoje os jogos de tabuleiro são uma forma de me encontrar com os amigos mais próximos, dar risadas e “se desintoxicar” do dia-a-dia. Nada pela competição. Tudo pela amizade.