Gentil leitora, gentil leitor:
Este é um livro de homenagem a um professor universitário: um Festschrift. Tradicionalmente, é um livro escrito por colegas e discípulos de um professor, com ensaios sobre os temas caros a ele.
Neste caso, o mestre homenageado é o Professor Doutor André Luiz Battaiola; e, se me refiro a ele como um mestre, não é por menosprezar o seu doutorado, mas sim por respeito à sua carreira acadêmica, a um tempo magisterial e magistral.
Também por respeito, e homenagem, à sua coragem.
Existem diferentes variedades de coragem. Escolher a carreira acadêmica exige algumas. Uma delas é a coragem de portar uma luz para clarear o caminho de outros — especialmente no caso de orientadores de pesquisas, que clareiam caminhos que mesmo eles ainda não trilharam.
Outras também são necessárias. A coragem de ser servidor público da área de educação. A coragem de lidar com burocracias, burocratas, e colegas; e com os dilemas, armadilhas e exigências que uns e outros colocam, variando do inócuo ao insensato.
No caso do meu mestre, há ainda a coragem de enfrentar as consequências de uma doença insidiosa; e, apesar dela, André segue sendo a pessoa maravilhosa que sempre foi, como meu colega Rafael Dubiela menciona, em seu texto.
Refletir sobre as muitas coragens do prof. André Battaiola me levou a escolher as imagens que ilustram a capa deste livro. São quadrinhos de Little Nemo in Slumberland, de Winsor McCay, publicados em julho de 1908. É uma página famosa para conhecedores da história da “banda desenhada”, como é o caso do meu mestre — e histórias em quadrinhos figuram, com destaque, em várias das suas atividades acadêmicas.
É uma cena onírica; como em todas as páginas de Little Nemo, os quadrinhos mostram os vívidos sonhos do protagonista, dos quais ele acorda, ao final. Nesta página, o sonho se mistura com a realidade; a cama de Nemo ganha longas pernas, e sai a caminhar e correr pelas ruas da cidade — mas o sonho acaba quando as suas próprias pernas a fazem tropeçar.
Na cena, Nemo fala a Pip, seu companheiro: “eu queria ser corajoso como você”.
Obrigado pela coragem, professor.