Já joguei com alguma assiduidade, ainda nos anos 1980, quando tive a oportunidade de conviver com amigos muito especiais e compartilhar um ambiente de amizade, acolhimento e, como diz um destes amigos, também de refúgio. Um refúgio das convenções e demandas do cotidiano, principalmente (na época) dos compromissos na universidade e de um padrão comportamental próprio da maioria dos jovens de então.
Foi um período enriquecedor. Relembrar aqueles tempos traz conforto e o desejo do reencontro, mesmo que concretizado muito poucas vezes nestes últimos trinta anos e ainda que as facilidades de contato virtual sejam incomparavelmente maiores.
Nos diversos locais em que residi, em anos posteriores, não encontrei um grupo com tão forte apelo à prática dos jogos de tabuleiro. Apenas bons companheiros de Futebol, atividade igualmente prazerosa por suas resenhas, mas com grupos de afinidades mais diversificadas, nem sempre convergentes.
Não posso dizer que hoje sinta igual motivação para jogar. No entanto, com aquele grupo de amigos a percepção é diferente e essa menor disposição certamente daria lugar à disponibilidade, em um futuro encontro.
Na prática, ainda que gostasse de alguns jogos, principalmente War, a principal motivação era encontrar os amigos e passar tardes agradáveis. Ao pensar desta maneira, talvez uma regularidade na prática de novos jogos, junto a novos participantes, também pudesse resgatar essa antiga perspectiva.
Em outras palavras, os jogos para mim tinham uma dimensão particular, menos relacionada ao prazer do próprio jogo e mais ao contexto de companheirismo que proporcionava.