Belissário avança sobre a Itália. Vem de lugar algum, tem pouca tropa. Concentra-as, ataca e marcha. Vai ao centro, vai a Roma. É aí. A fortaleza. É onde você controla o ponto estratégico, centro. O domínio sobre uma área. Sobre um país. E de lá ele se defende. Ele faz muito com pouco.
Vem então a intriga. Não há conquista sem intriga. A tropa vai, mas há de segui-la a desavença. Não se ganha nada sem ela. Ela é a aliada de Belissário. Fomente a discórdia, o medo e a dúvida.
Mas não há como evitar, haverá o revide contra a Roma conquistada. Alguém reage, porque alguém também a quer. A intriga ajuda, diminui o esforço contra ela.
Vêm os dados, vem a álea. Sorte… Jogo de dados. Sopro os dados. 6, 5, 1, quem vence? Qual a conclusão? Quem tomou o quê de quem?
É uma excitação. É um desejo. Um jogo de dados e sua comparação com o jogo, o resultado do outro. A cada lance de dados, uma adrenalilna. E então? Recuo? Deixo Roma? Abandono o propósito? E justiniano?
Jogo para mim sempre foi assim. Como fazer o máximo com o mínimo, como tomar tudo, vencer tudo, contra todas as possibilidades. A vitória boa é aquela com o menos: menostropas, o máximo de intriga.
A vitória é estratégia militar, mas é o engodo também. Falsear, trair, surpreender com a jogada que ninguém espera. A surpresa, o susto de quem não viu o que podia ter sido e acabou sendo.
Wargames, jogos de tabuleiro de ocupação de espaços, tomar! Tomar o espaço, tomar do outro. Avançar e defender com pouco, com intriga.
Não sou fã de jogos de acumulação de pontos. Gosto de jogos com mapas, com espaços. Com espantalhos que defendem. Não gosto de jogos a dinheiro. Não gosto de jogos só de sorte.
Na verdade, jogar para mim são os amigos. Os mesmos, as mesmas brincadeiras, nas quais Belissário avança, blefa e conquista; e, depois que o jogo acaba, ele, eu, recordo a partida, rocordo-a no banho, alegro-me com a conquista de Roma, sua defesa e com a perplexidade dos amigos com a jogada, com a audácia do lance.