Fui provocado pelo meu amigo Luiz Cláudio a escrever sobre o que os jogos significam para mim. Apesar de sua simplicidade, essa é uma pergunta complexa pois me leva até o começo da minha vida, literalmente. Por isso, para responder sobre o que os jogos — e mais precisamente o RPG — representam nessa jornada de mais de 30 anos, preciso voltar no tempo e, assim, apresentar um relato mais honesto possível sobre esse hobby, que se mescla com a maior parte da minha vida.
Para começar, é imprescindível destacar o papel da minha família nisso tudo. Desde que me lembro, mesmo das memórias mais longínquas da terna infância, meus pais, meus tios e primos sempre estimularam as brincadeiras com jogos de tabuleiro. Eram dos mais simples que poderiam ser encontrados no Brasil naquele final da década de 1980 como Jogo da Memória, Super Trunfo e Damas, até os mais complicados (em se tratando da época e da idade), tipo Banco Imobiliário, Jogo da Vida, Detetive, War e Xadrez.
Tenho dois irmãos mais novos, Raul e Ciro, que têm idades próximas à minha, e isso facilitou muito manter a diversão viva em um período em que Internet e jogos solo eram praticamente inexistentes, sobretudo porque morávamos no interior do Pará — e isso dá uma dica do quanto era difícil conseguir esse tipo de coisa por lá. Nós jogávamos tudo que aparecia pela frente, era um passatempo maravilhoso que compartilhamos com nossos amigos mais próximos e que nos apresentaram outros jogos incríveis, como os que chegavam no começo da década de 1990, até chegarmos um ponto específico: Classic Dungeon. Foi com esse board game que descobrimos as maravilhas de entrar em masmorras, matar monstros terríveis e conquistar tesouros. Nossa, como era bom! Depois disso, chegou a vez de um jogo que mudou tudo em nossas vidas: Dragon Quest.
Foram esses dois jogos que incendiaram nossas mentes e nos fizeram ir atrás de qualquer coisa parecida. Foram incontáveis partidas com esses jogos de tabuleiro que apresentavam de forma mais simplista o famoso Dungeons and Dragons — e se você jogou isso naquela época, sabe do que estou falando. É realmente impossível dar a perfeita dimensão do que isso representava em nossas vidas. Passamos a devorar tudo levemente similar, como livros, games, quadrinhos e desenhos. Praticamente tudo que fosse fantástico nos atraia!
Depois disso, ainda no começo daquela década, uma série de livros surgiu e “explodiu” em minha mente: Aventuras Fantásticas. Sério, o poder daquela leitura dos livros-jogo foi algo do qual nunca me “recuperei” de verdade, ainda sendo meu cenário de fantasia e RPG favorito e que coleciono e acompanho ainda hoje — sério, estamos em 2022 e eu comprei o último lançamento do Ian Livingstone, com quem já troquei e-mails. É preciso um capítulo inteiro em um livro para que possa explicar o quanto essa coleção de livros me fez viajar, jogar, divertir e, acima de tudo, ter uma paixão avassaladora por fantasia, aventura, terror e RPG. Mas isso seria deveras longo hahaha.
Seguindo a linha cronológica, após os jogos de tabuleiro e transição para o RPG, é preciso fazer justiça a três pessoas que têm participação ativa e fundamental em minha vida de jogos. Minha mãe, a dona Kelli, foi a primeira pessoa que falou sobre RPG e me explicou do que se tratava. Ela nunca jogou, mas sempre reconheceu a importância desse tipo de estímulo e buscou inúmeras formas de o fazê-lo para meus irmãos e para mim.
Meu pai, seu Janary, teve um papel extremamente relevante nessa história toda! Ele nunca foi muito dado ao hábito da leitura de livros, sempre preferiu jornais e revistas, mas sempre se mostrou incansável quanto ao encorajamento da leitura e de jogos. Foi ele quem patrocinou todos os meus livros de RPG na infância e juventude, além dos meus primeiros dados, e isso ganha uma dimensão ainda mais significativa se analisado do ponto de vista das memórias afetivas.
E meu tio, Herculano, que foi o primeiro mestre de verdade na minha vida. Fato é que minha primeira mesa “séria” só foi jogada por volta de 1994, quando ele teve a incrível disposição de mestrar Advanced Dungeons and Dragons para seis crianças (entre seis e dez anos) numa noite fria de sábado. Ainda hoje a lembrança daquele momento é bastante vívida em minha mente, com meu anão de barba longa e ruiva que carregava um machado para se proteger dos perigos à espreita, mas que no final evitou que o grupo entrasse em combate contra um verme carniceiro jogando carne podre encontrada num aposento pouco tempo antes… enfim, foi um momento especial. Verdadeiramente mágico! E essa noite abriu uma série de novas perspectivas na minha vida.
Desde então, o RPG nunca abandonou minha vida e eu cada vez mais fui impelido a realizar mais por esse hobby que acabaria guiando até escolhas mais importantes como influenciar na vida adulta, em que eu acabei por me tornar um jornalista — que vive para contar histórias. E a vida como jornalista ofereceu possibilidades de contar histórias sobre o RPG, entrevistar pessoas ligadas ao ramo e escrever crônicas a esse respeito.
Capital RPG
Além disso, dois momentos marcaram minha vida de jogos. Primeiro, já morando em Brasília, por volta de 2005 conheci pessoas maravilhosas durante um pequeno evento de RPG em um salão de festas. Era o Capital RPG, um grupo de amigos que organizam pequenos eventos para apresentar jogos e reunir adeptos dessa excelente diversão. Faziam parte a Luciana, Robson, Sérgio e o Luiz Cláudio, com quem joguei Castelo Falkenstein e de quem me tornei amigo após aquela ótima partida. Minha identificação foi tamanha, que ao final do evento me prontifiquei a ajudar aquele grupo de amigos no que fosse preciso para que mais eventos como aquele pudessem ser realizados. Fui aceito como parte do pessoal e dali em diante organizamos uma série de eventos em Brasília. Mas apesar de ser tudo muito incrível, a vida adulta tomou conta e terminou por dificultar o Capital RPG de continuar com suas atividades.
D30 RPG
Não me resignei com esse fato. Sempre achei que aquela iniciativa tinha sido muito fantástica para acabar ou pelo menos para não ter uma continuidade de alguma outra forma. E isso ficou rondando minha mente por cerca de dois anos até que consegui me reunir com os bons amigos Rafael Thomaz e Thiago Freitas para começar uma empreitada similar, ainda sem ter um grupo formal. E assim nascia os eventos “Dungeon Master de RPG”, com apoio de uma loja que foi berço destes pequenos encontros, a Pendragon, que era capitaneada pelo Gabriel, que veio a ser um grande amigo meu. Depois de cerca de um ano de pequenos encontros, tivemos uma prova de fogo: fomos procurados pela editora Devir para realizar o 1º Dia D RPG, evento simultâneo em várias cidades do país. Sem entrar em muitos detalhes, posso dizer que foi tudo muito tumultuado mas acabou acontecendo de forma maravilhosa. Por ser um evento muito maior, precisávamos de ajuda e muitas pessoas atrapalharam e muitas outras ajudaram. E disso finalizamos esse grande evento como um grupo, que se consolidou com a entrada do Ricardo Mallen e do Eugênio Cavalcante. E com apoio de um veterano rpgista de Brasília, o Betão, que sempre deu total força para nossos eventos, foi quem batizou o Grupo D30 de RPG.
De lá pra cá, chegaram amigos incríveis para fazer acontecer os eventos, como o Marcello Larcher, querido amigo e um presente que o RPG meu deu, assim como a Camila Tabet; também surgiram o Zé Marcelo e o Tiago Rolim — aqui preciso avançar para uma parte muito triste em toda essa história, que foi a perda desse grande amigo para a Covid-19 em 2021. Foi um duro golpe que marcou tragicamente essa bela história de RPG na minha vida.
Mas para abrir um espaço de destaque para o Grupo D30, preciso dizer que ainda hoje estamos ativos e agora em 2022, completando 14 anos de existência e eventos em Brasília. Para dar um panorama do que é o D30 na minha vida, vou adicionar aqui o relato do evento em que comemoramos 10 anos.
O épico Encontro D30 de 10 anos
Com o Encontro D30 de agosto de 2018, a cena do RPG em Brasília ganhou um novo e marcante capítulo em sua história! Mas foi algo começado lá atrás, mais exatamente há 10 anos, quando um grupo de amigos resolveu criar uma forma de agregar o maior número possível de jogadores e mestres num mesmo ambiente para que todos pudessem descobrir novos jogos, formar grupos e, o mais importante de tudo, se divertir juntos! Com o passar destes maravilhosos anos em que nossa comunidade só cresceu, tivemos um aumento também na diversidade dos participantes.
Cada dia que passa no mundo D30, conseguimos ampliar essa diversidade, romper preconceitos e deixar o ambiente mais favorável para mulheres, crianças, adolescentes e famílias inteiras. E por isso somos hoje uma verdadeira confraternização de pessoas unidas pelo desejo de sermos felizes ouvindo e contando algumas das melhores histórias de nossas vidas. Com isso tudo, o tema desse evento — para além da comemoração destes 10 anos — não poderia ser mais representativo e sincero: Irmandade!
Nos dois períodos em que passei pelas mesas e conversei com velhos e novos amigos, além de trocar uma ideia com recém-conhecidos, pude observar o rosto de cada uma das quase 200 pessoas que passaram pelo Encontro, e consegui ver uma alegria genuína estampada em cada um desses semblantes. Isso é o maior motivo de orgulho para nós, velhos dragões, que fazemos tudo isso por vocês. Essa alegria é a recompensa por tudo. Muito obrigado a todos.
Mas falando mais especificamente sobre o Encontro, tudo que posso dizer é que foi minimamente fantástico. Quando cheguei até o SESC 504 Sul, por volta das 9h15, como de costume já tinha uma galera esperando abrir os portões e, quando isso foi feito depois que organizamos todo o espaço, uma enorme fila se estendia da entrada do local até o andar de cima onde realizamos o evento. Lembro de poucas vezes em que as mesas de jogo foram tão disputadas e as vagas da manhã acabaram tão depressa. Para se ter uma ideia, tão logo abria uma mesa, rapidamente já tinham mais jogadores do que o possível querendo participar.
E nessa primeira etapa das comemorações, tivemos mesas super legais com o nosso grande brother Luiz Alface narrando Lankhmar em Savage Worlds; o Alfredo Nemesis mestrando sua tradicional mesa de Shadowrun; o Hugo Carvalho mandando ver numa partida de 3D&T; os nossos grandes parceiros Minduins Nelson e Brunno Rod, comandando uma fantasia medieval com Cypher System e um terror em Savage Worlds, respectivamente; o Wolney Andrade arrepiando a galera com o ótimo Little Fears; a querida narradora Stephanie Braz trazendo uma mesa de Hunter: the Vigil; o Volnei Freitas que narrou sua sensacional história da A Bandeira do Elefante e da Arara (vice campeã no concurso nacional); e duas mesas de 3:16 Carnificina nas Estrelas (para meu grande orgulho pessoal hehehe) com dois caras gente boas demais, o Edu Palada e o Rodrigo Oliveira. Ainda tivemos o Rafael Thomaz narrando sua mesa de Tormenta RPG, animando um grupo grande!
Agora, no turno da tarde, tivemos uma partida espetacular em um formato inédito no Brasil: um mega crossover de D&D 5e reunindo 17 mestres, 99 jogadores, um mestre coordenador, um mestre DJ para os efeitos e trilha sonora, e uma mestra controlando um dragão ancião. E todos jogando a mesma aventura e interagindo entre todas as mesas. No meio disso tivemos duas mesas voltadas exclusivamente para crianças, que participaram em igualdade com os demais em toda a aventura. Foi um momento épico, que cada um dos 119 presentes nessa aventura jamais esquecerá!
Essa aventura contou a história de uma coalizão de heróis que precisava impedir um culto maligno de levar o caos para o mundo. A missão se dividiu em quatro partes: impedir os suprimentos de chegar até o forte onde o culto estava; convencer o rei feérico de não se aliar ao culto e se juntar aos aventureiros; combater os necromantes aliados do culto para evitar que enviassem reforços para a guerra; e por fim, invadir o forte onde o culto estava. Em meio a todo esse cenário caótico, um imenso dragão antigo sobrevoava as mesas, digo, as frentes de batalha, para ceifar a vida de quantos heróis fosse possível!
A cada missão completa pelos grupos ou fracassadas, bônus ou dificuldades eram impostas a todos, por isso a ação conjunta contava muito. Além disso, grupos de aventureiros que estivessem em dificuldades poderiam convocar heróis de outras mesas para ajudar, ou se estivessem muito bem na sua missão, poderiam oferecer ajuda aos demais. Tudo isso coordenado por um grande capitão de batalha e um bardo que entoava as trilhas sonoras de fundo, assim como os efeitos especiais. Enfim, foi um momento mágico. Um agradecimento especial ao Jorge, que nos ajudou a coordenar tudo!
Além dessa mega aventura, tivemos ainda algumas mesas durante a tarde, a Raissa narrando Mundo das Trevas e uma galera jogando D&D como podiam no chão mesmo! Acredito até que algumas pessoas abriram o jogo na hora ali pela gibiteca, mas como estive envolvido completamente com o crossover, não consegui conferir o que rolou.
Ainda tivemos espaço para os sempre aguardados sorteios de brindes legais, doados por lojas e editoras parceiras (e pessoas maneiras que vão ao encontro, como o Vini). Contamos com a presença do Ateliê da Memê com seus milhões de artigos nerds e da loja Orgutal, grande parceiro de sempre. Ainda vale destacar nosso agradecimento ao Sesc pela acolhida maravilhosa que tem nos proporcionado e especialmente à Fabrícia, que participa do evento do começo ao fim, para nos dar todo suporte que o Sesc pode oferecer. Ao final das atividades, conseguimos ainda cantar parabéns e fazer a festa da criançada que estava por lá, com docinhos diversos.
Para finalizar, só posso agradecer a todos que fizeram e fazem parte desses 10 anos de Encontros D30. Todos que de alguma forma ajudaram a magia a acontecer, seja carregando mesas, ficando na portaria, mestrando, coordenando, fazendo palestras, jogando ou apenas indo para bater papo. Sem vocês, não haveria história a ser contada. Muito obrigado!
Meus filhos, a nova geração de rpgístas
Desde que comecei a jogar RPG, o tempo passou, e em alguns momentos o RPG ficou um pouco afastado, mas nunca o deixei de lado. Hoje sou pai de dois moleques. O Arthur está com 16 anos e o Ravi com 6. Os dois participam dessa parte da minha vida que está tão ativa no hobby quanto naqueles primeiros dias de quase 30 anos atrás. Como parte de um grupo de promoção do RPG, os garotos já foram em vários eventos.
Arthur começou a frequentar eventos aos 5 anos para se ambientar, e efetivamente aos 6 ele participou de uma mesa de Malditos Goblins. Desde então ele nunca mais parou de jogar, claro que não na frequência que ele e eu gostaríamos, mas me esforço para ajudar. Em 2019 nós completamos um ano de campanha no nosso grupo de crianças. Eu falo grupo de crianças, mas, na verdade, são jovens adolescentes que se conheceram quando crianças, jogaram algumas partidas juntos e só a pouco conseguimos nos organizar como grupo. E aqui eu tenho de agradecer ao empenho dos queridos pais e mães envolvidos: Cássia, Zé Marcelo, Eduardo, Paula, José e Lilian. Pessoas incríveis que me deram a grata oportunidade de mestrar uma campanha de Dungeons & Dragons para seus filhos. E o jogo deu tão certo que os jovens Arthur, Marina, Pedro e Léo estão bem empolgados em manter a campanha para mais alguns anos (e níveis a mais). Vale destacar que é uma mesa “Old School”, com um D&D Basic e eles ainda não passaram do terceiro nível… Por conta da pandemia, precisamos parar e ainda não conseguimos retomar esses jogos, mas sei que vai acontecer.
O Ravi teve sua primeira experiência de jogo com uma rápida partida de Dragon Quest ao lado de amiguinhos da escola, em que eu apresentei formas simples do jogo. Os garotos ficaram malucos e querem mais. Ainda não consegui organizar outro jogo com ele, mas o menino agora se interessa por tudo que ele diz que é nerd e me acompanha nas mesas de Greyhawk e Fighting Fantasy quando narro em casa para meus grupos — e ele adora ficar sentado junto dos jogadores ouvindo as histórias antes de dormir.
Aqui cabe um adendo: meu tio, aquele que narrou AD&D, teve vários filhos, e o Lucas, o caçula que hoje está com 21 anos, jogou RPG pela primeira vez comigo anos atrás, e até hoje gosta e participa de sessões lá em casa ou nos eventos do Grupo D30. É, talvez, uma forma de retribuição. Mas meus outros primos também jogaram comigo várias outras vezes.
E, sabem? Todas essas experiências beiram o transcendental! Ter a oportunidade de se juntar aos mais novos para momentos como esse, de contação de histórias, de enriquecimento da criatividade e estímulo aos bons hábitos, não há prazer igual. Sou muito feliz por ter essa oportunidade e ver a evolução deles como leitores. Sim, o Ravi tem livros e pede para ler para ele todas as noites, e o Arthur já leu mais livros do que muitos adultos que conheço.
É isso que eu acho fenomenal! A participação e envolvimento dos pais, amigos e família nessa evolução, na vida das crianças. Grandes amigos meus fazem o mesmo e trocamos experiências sobre essa jornada. O Rafael também já está mostrando ao filho Felipe como rolar dados; o Thiago mestra para o João Vitor e o Leonardo; o Ricardo já colocou a Stella em duas partidas; o Larcher apresentou jogos com fundamentos de RPG para os sobrinhos, a Camila presentou o sobrinho com dados de RPG de borracha… isso falando só dos mais próximos, pois tenho conversado com muitas outras pessoas que têm proporcionado experiências como essas. São tantas boas experiências que reforçam essa relevância em influenciar as crianças no bom caminho do RPG que não vejo argumentos contrários.
Para dar mais um adendo emotivo nessa história, em 2019, tive um momento muito significativo na minha vida de jogos, pois participei de um evento do Green Peanuts Tavern, em que pude jogar com meu filho Arthur pela primeira vez. Eu disse jogar, pois quem acompanha minhas experiências de jogo sabe que desde que ele tem cinco anos, eu mestro para ele, mas os dois participando como jogadores, foi a primeira vez. E agradeço demais ao meu parceiro Volnei Freitas que fez isso acontecer durante uma partida de PsiRun*. Inclusive foi uma sessão muito maneira de um RPG que eu não tinha jogado ainda e fiquei muito fã! O jogo criado pela Meguey Baker fornece uma mistura de superpoderes, fugas alucinadas e um sistema que cria a história do passado e do presente de maneira colaborativa entre os jogadores.
E daí eu retomo àquela primeira parte deste texto, em que disse que a provocação do Luiz Cláudio era complexa, mas que eu relataria de forma bem honesta o que o RPG significa para mim. Posso dizer que representa amizade, amor e alegrias. Essas palavras são a melhor definição. Significa dizer que o RPG faz parte das minhas melhores lembranças e, também, dos meus maiores esforços para incentivar novas gerações no hábito da leitura e dos jogos lúdicos. Gosto de passear entre o menino maluquinho e o maluco beleza porque quero ser parte da diferença, assim como fizeram por mim.