Eu sempre fui um amante de histórias, aprendi a ler e escrever antes da minha turma na escola só porque queria ler as historinhas da Turma da Mônica sem a necessidade de esperar meus pais lerem pra mim. Não seria então de se estranhar que pelo mesmo motivo fiquei viciado em livros rapidamente, antes dos meus dez anos de idade eu já devorava livros no café da manhã.

Ainda nesta idade eu comecei a jogar video-games e assim novas histórias eram contadas diante dos meus olhos de forma interativa. Foi uma das minhas maiores paixões, até hoje jogo muito jogos de computador e os meus favoritos são sempre os que tem uma boa narrativa junto do jogo.

E claro, também me apaixonei por cinema, afinal, lindas histórias eram contadas na sala escura do cinema. Antes mesmo de aprender a ler, com sete anos eu vi meu primeiro filme no cinema e me apaixonei, era um desenho animado da Turma da Mônica é claro! Mas daí, comecei a ver filmes sem parar, e importunava meus pais a me levarem o maior número de vezes. Depois que aprendi a ler, ficou mais fácil ver os filmes de ação, com pouco mais de dez anos de idade eu já ia sozinho no cinema, até mesmo pra ver os filmes proibidos do Arnold Schwarzenegger que só deveriam ser visto por maiores de 12 anos. Todo domingo eu ia até o jornal e via os filmes que estavam passando, escolhia um e lá estava eu na fila do cinema para ver. Hoje não vejo mais tantos filmes como nesta época, mas ainda é algo que gosto de fazer muito.

Quando cheguei aos 13 anos veio minha paixão maior, o RPG, eu comecei a jogar e não parei mais até hoje. E enquanto o RPG fez o caminho dos jogos de estratégia e boardgames até o que é, eu fui no caminho contrário. Na época eu tinha bem mais de 20 anos quando um casal amigo da minha ex-esposa Maíra nos apresentou os eurogames. Foi outra paixão à primeira vista, os jogos eram divertidos, a parte da estratégia me fascinava — talvez por eu ser programador e gostar de lógica, ou por conta da minha paixão por jogos de computador — mas isso me levou à outro tipo de boardgames onde a estratégia ocorria sobre um cenário muito mais elaborado, os que narram uma história completa, como Arkham Horror, Mansions of Madness, Battlestar Galactica, Dungeon Lord, Shadows Over Camelot e tantos outros jogos onde o cenário é tão importante quanto o jogo em sí e você se sente como parte da história. Se fossem apenas os simples jogos de estratégia como Catan ou mesmo o Stone Age que adoro, talvez eu não estivesse até hoje apaixonado por boardgames; mas o fato de ter jogos que juntavam elementos do RPG e um cenário absorvente com uma mecânica e estratégia equilibrada tornava tudo muito mais cativante para mim que sou viciado em histórias.