Este é o primeiro volume da série Impressões. Como o nome indica, são livros escritos a partir de uma perspectiva impressionista, fruto de minhas percepções e reflexões sobre jogos e jogadores, ao longo de muitos anos.

Homo regulans funciona como uma introdução geral; embora seu tema seja o das relações entre pessoas e regras, esta discussão encontra-se principalmente na terceira parte do livro. As duas primeiras partes servem para estabelecer um conjunto de informações comuns: a primeira parte é um esboço da longa história dos jogos, e a segunda traz discussões sobre os elementos que compõem um jogo.

Neste livro, assim como em outros da série, tenho especial interesse nas pessoas e nas relações que estabelecem — entre si, e com os jogos. Este foco nas pessoas e nas suas relações permite fazer uma brincadeira conceitual: este não é propriamente um livro sobre jogos, e sim sobre a ecologia dos jogadores.

As raízes desta série são duas. A primeira é a minha experiência: mais de quarenta anos de interesse por jogos, de muitos tipos diferentes, aplicado na prática. Concordo inteiramente com o que escreveu Aki Järvinen:

Que fique claro que eu respeito muitos tipos de abordagens ao estudo dos jogos e dos jogadores, desde que os pesquisadores joguem e trabalhem com jogos — eu não veria razão para levar a sério um pesquisador de literatura que não lesse livros.

A segunda são os estudos e pesquisas que realizei ao longo da última década, especialmente a partir do curso de mestrado em Design. É útil notar que a minha pesquisa vai bastante além do Design, recebendo influências de vários outros campos do conhecimento: Direito, Filosofia, História, Psicologia, Linguística. Pensar o jogo é, por natureza, uma atividade transdisciplinar.

Mas realço um ponto importante: este não é um livro acadêmico, e nem os demais livros da série. Eu os escrevi pensando em leitores não especialistas — seja em jogos, seja em qualquer dos campos mencionados acima. Por isso, o livro não inclui elementos essenciais para uma obra acadêmica, como referências bibliográficas. Ao final, eu apresento uma lista bem reduzida de leituras recomendadas, para os que se interessarem em ler mais sobre os temas do livro.

O texto também não inclui notas de rodapé. Em alguns pontos, parágrafos destacados — como este! — fazem as vezes de notas de rodapé, para aprofundar ligeiramente algum ponto do texto principal.

Homo regulans tornou-se possível pela generosa contribuição de muitas pessoas, a quem ofereço minha profunda gratidão. Os apoiadores do projeto no Catarse “pagaram para ver”, viabilizando a publicação. Minha filha, Thalia, foi a responsável pela arte; meu pai, Olympio, foi o revisor e primeiro leitor do texto, oferecendo contribuições preciosas. Mas estas são apenas as pessoas mais imediatas; muitas outras pessoas me permitiram chegar até aqui.

Apesar de toda esta ajuda, é inevitável que eu tenha cometido erros neste livro. Ficarei extremamente feliz se você quiser me enviar correções, críticas, sugestões, comentários… Para isso, peço que visite a página https://gitlab.com/impressoes/homoregulans/, e siga as instruções nela.