Ontem, Larissa me contou que Felipe estava aprendendo a trabalhar com o gênero carta em seu colégio. Falou de como ele ficou feliz em enviar e receber cartas.

Pensei, na hora, em também escrever-lhe. Mas logo me veio a ideia de escrever-lhe como a árvore do quintal, na qual eu o ajudei a aprender a subir.

Hoje escrevi-lhe a carta, e a coloquei em um envelope, endereçado a ele, que Larissa colocou entre os galhos da árvore. Ele mesmo encontrou o envelope e leu a carta, fascinado.

Larissa comentou que ele está na fase de indecisão entre a realidade e a fantasia, então não reagiu imediatamente. Mas fiquei feliz com o exercício, e Larissa também gostou muito da carta.

Carta de uma hamadríade

Pontal do Sul, 12 de novembro de 2022

Querido Felipe:

Fiquei muito feliz quando vi que você veio novamente aqui para meu pedacinho do mundo. Eu estava com saudades. Foi muito bem ver você aprender como subir em meus galhos, sentir você me abraçando, se apoiando em mim para subir mais alto.

Espero que você suba em mim de novo. Quero sentir se você ficou mais pesado. Acho que ficou! Eu cresço muito devagar, mas os humanos crescem depressa. Esta é uma das diferenças que torna a vida tão linda.

Eu tenho a memória de todos que sobem em mim. Quase sempre são passarinhos; às vezes, algum gato. Gosto do canto dos passarinhos, e faço o acompanhamento com o sussurro das minhas folhas no vento. Os gatos são bons também. Às vezes eles gostam de esticar as garras na minha casca, e eu gosto muito disso, ajuda a tirar a casca velha!

Mas são as crianças humanas que eu gosto mais. É muito bom sentir os abraços, e eu me sinto muito feliz quando vejo alguém aprendendo que pode ir mais alto, que pode ver mais longe.

Estou esperando você, Felipe. Venha me dar um abraço.

Um beijo.

Hamadríade