Círculo Mágico
Quando Huizinga escreveu Homo ludens, ele deu vários exemplos de espaços sagrados, nos quais os jogos acontecem, e nos quais as regras dos jogos têm precedência sobre as regras da vida “real”. Um dos seus exemplos foi o círculo mágico; a expressão ganhou força e, hoje, é usada de forma mais abrangente.
O círculo mágico pode ser a mesa sobre a qual se joga uma partida de Pôquer, pode ser um campo de Futebol, pode ser a sala de audiências de um tribunal. Dentro do círculo mágico, as regras são as regras do jogo, e não as regras da vida “real”. Eu posso usar minha mesa e minhas cartas de baralho para fazer um castelo de cartas ou para ler a sorte — mas não durante uma partida de Pôquer. Posso pegar a minha bola com as minhas mãos — mas, se eu estou em uma partida de Futebol, somente poderei fazer isso em circunstâncias específicas.. Durante uma audiência no tribunal, o advogado pode falar coisas que, fora do círculo mágico, poderiam custar-lhe um processo.
Dentro do círculo mágico, as regras do jogo são absolutas. Dentro do círculo mágico, e enquanto durar a partida. O círculo mágico, assim, é ao mesmo tempo uma área e uma duração: um locus espaço-temporal. Mas é muito mais fácil e bem menos pedante apenas chamá-lo “círculo mágico”.
Ninguém entra obrigado no círculo mágico. Killer é um jogo popular em alguns campi universitários nos EUA, no qual os jogadores tentam “matar” seus adversários, eliminando-os do jogo. O círculo mágico é definido pelos participantes — por exemplo, a biblioteca do campus — mas a maior parte das pessoas que estão naquela área não participam do jogo, e frequentemente sequer sabem que ele está sendo realizado.