Apresentação

Um curso modular, voltado para pesquisadores, pensado para capacitar os participantes a utilizarem ferramentas digitais avançadas.

Os métodos e ferramentas recomendadas neste curso podem ajudar a reduzir vários problemas comuns a muitas pessoas envolvidas com estudo e pesquisa, sejam eles alunos avançados de graduação, alunos de pós-graduação, ou mestres e doutores em atividade. Chamo todos estes de “pesquisadores” para simplificar.

”Ferramentas avançadas”?

A imensa maioria dos pesquisadores usa um conjunto bem reduzido de ferramentas digitais: editores de texto de uso geral (Microsoft Word, LibreOffice), às vezes com capacidade multiusuário (Google Docs); os arquivos digitais (por exemplo, um PDF com um artigo relevante) são agrupados em pastas em um equipamento pessoal (computador / celular / tablet) ou na nuvem (Google Drive, DropBox, OneDrive); se há uma necessidade mais específica — cálculos estatísticos, por exemplo — é comum, mais uma vez, o uso de ferramentas de uso geral (Excel, Google Sheets)…

Parte disso vem de um problema comum demais: não há quem ensine novos pesquisadores como fazer estas atividades. Quando muito, as instruções são na linha “Procure o artigo tal para seu texto” — existe toda uma expectativa de que o pesquisador saiba “se virar”. Existem muitas ferramentas digitais que reduzem muito a carga de trabalho de um pesquisador… mas, porque não são conhecidas, quase todos continuam a usar apenas o que já conhecem.

Funciona? Claro que funciona.

Mas não funciona bem! Para fazer uma analogia visual, o método comum seria assim:

E este seria o método com ferramentas digitais avançadas:

Mas esta é apenas uma analogia visual. Vamos ver um pouco mais detalhadamente alguns problemas comuns a todos os pesquisadores.

Problemas abordados

  1. Organização do fluxo de trabalho. Organizar não é regular! Durante uma pesquisa, em uma mesma jornada de trabalho você pode estar tomando notas, lendo alguns textos, escrevendo, e assim por diante. É impossível impor uma ordem arbitrária a isso, cada pessoa tem a sua maneira de trabalhar. Mas é importante que as suas ferramentas possam, justamente, ajudar a manter as suas informações organizadas enquanto você trabalha.
  2. Interoperabilidade. A capacidade de as suas informações poderem ser usadas em equipamentos e ferramentas diferentes daquele no qual você as produziu. Isso se aplica tanto no momento presente (poder trabalhar no mesmo documento em um computador ou celular, ou mandar para outro pesquisador sem precisar converter nada), quanto ao longo do tempo (quando você precisar abrir os arquivos de hoje em um editor de textos daqui a dez anos, para não ter que reescrever tudo).
  3. Reproducibilidade. A possibilidade de os seus passos de pesquisa serem replicados. Isso se aplica a outros pesquisadores que queiram verificar a sua pesquisa, ou a expandi-la; e também se aplica a você (“como foi mesmo que eu cheguei a esta conclusão?”). Isto anda junto com a…
  4. Memória de pesquisa. Anotações detalhadas e organizadas de quais foram os seus passos em sua pesquisa. Um conjunto de notas post-it pode tranquilamente servir como memória de pesquisa… mas não vai durar muito tempo, e a reproducibilidade delas é quase nula.
  5. Controle de versões. Seu avaliador devolve o arquivo “texto versão final revisada 2.docx” com a observação “tirar aquele trecho sobre X não ficou bom, melhor colocá-lo de volta”. Toca a localizar X… Um bom sistema de controle de versões vai além disso: funciona como sistema de back-up (aquele que quase ninguém faz) e permite trabalho cooperativo organizado.
  6. Pesquisa de documentos. “Procura no Scopus / Google Scholar / CAFE”. Ok… mas como? Aprender a lidar com os funcionamentos das ferramentas de pesquisa é a chave aqui. E elas funcionam com o uso de…
  7. Metadados. Todo documento tem dados — o seu conteúdo, seja falando de chimpanzés ou de tensores; e metadados — informações sobre o documento em si: quem são os autores, quais são as palavras-chave, onde foi publicado, etc. São justamente as informações usadas para pesquisar um documento (veja o item 6 acima) e que o seu texto precisa informar como…
  8. Referências bibliográficas. Uma referência bibliográfica é justamente uma forma organizada de apresentar os metadados de um documento. Manter as suas referências organizadas permite que você encontra facilmente o que você precisa, e facilita imensamente o seu trabalho de citá-las. Os metadados também são chave para um…
  9. Repositório de arquivos. Muito melhor que colocar todos os PDFs que você usa em uma pasta, ou dez. Facilita imensamente a busca de documentos, as citações — e as suas notas. Funciona como um sistema para o temido “fichamento” de documentos.
  10. Anotações. Ao longo de todo o seu trabalho, você vai fazer anotações. Ideias, lembretes, comentários… uma ferramenta de organização de anotações permite que elas possam ser facilmente recuperadas, sem que você precise confiar na sua memória.
  11. Preparação dos documentos. Seu documento final — TCC, artigo, tese, não importa. Ele tem que atender a normas e formatos específicos e arbitrários. Fica muito mais fácil se preocupar com esta formatação apenas no final — e, se as suas informações já estão organizadas, isso fica muito fácil. Cuide do conteúdo da sua pesquisa, e somente aqui se preocupe com a sua forma.

O custo

Nada disso é de graça. Para ser mais exato: as ferramentas apresentadas aqui são todas gratuitas, muitas delas de código aberto (software livre). Mas você vai levar tempo a aprender a usá-las.

Considere tudo isso um investimento de tempo. Você investe algum tempo agora, para poupar muito mais tempo mais adiante.

Como funciona

As aulas são online, com duração de uma hora. Cada módulo tem duas aulas em uma semana. Na primeira aula, os conceitos e métodos são apresentados. Antes da segunda aula, o participante tem a oportunidade de usar na prática o que foi abordado na primeira aula. A segunda aula aprofunda a discussão da primeira aula, à luz da experiência prática dos participantes.

Programa

Módulos básicos

Todos os módulos básicos são obrigatórios; os métodos e ferramentas apresentados neles dependem uns dos outros.

Fundamentos

Organização do fluxo de trabalho. Ferramentas digitais e seu uso. Interoperabilidade, reproducibilidade, memória de pesquisa. Separação entre forma e conteúdo. Formato aberto Markdown.

Controle de versões

Usando o git para controle de versões de documentos, memória de pesquisa e cópias de segurança. Ferramentas recomendadas: git, VSCode.

Pesquisa de referências

Métodos de pesquisa de documentos digitais. Principais bases de dados.

Repositório de referências

Metadados. Armazenando, organizando e recuperando documentos digitais. Ferramenta recomendada: calibre.

Referências bibliográficas

Recuperando referências bibliográficas e automatizando o seu uso. Formatos abertos .BIB e .CSL. Ferramenta recomendada: JabRef.

Anotações

Registro de anotações. Interligação de ideias e conceitos. Criando rotinas automatizadas. Ferramentas recomendadas: Obsidian, Gitjournal.

Preparação de documentos

Criação de documentos em diversos formatos. Ferramenta recomendada: pandoc.

Módulos avançados

Estes módulos são independentes entre si. Abordam uso de ferramentas mais especializadas, ou técnicas avançadas de uso das ferramentas apresentadas nos módulos básicos. Apenas um deles vai proposto aqui; outros poderão ser criados conforme a demanda dos participantes dos módulos básicos.

Cadernos de pesquisa

Uso de cadernos interativos para memória e reproducibilidade de pesquisa com métodos estatísticos. Ferramentas recomendadas: R, Jupyter.