Nos últimos dias, o mundo dos jogos de tabuleiro estava agitado a partir do Boardgamegeek. Os administradores do BGG criaram o Hall of Fame, selecionando 25 jogos de autor, que consideram terem sido especialmente relevantes e influentes. Divulgaram cinco jogos por dia, e especificaram que a ordem era cronológica.
O primeiro jogo da lista foi o Diplomacy (1959) — uma excelente escolha, por tudo que ele significa na história dos jogos, mas especialmente relevante para mim em termos pessoais: foi graças a este jogo que criamos a Confraria Lúdica, há 46 anos.
Mas foi um aspecto do último dia, quando divulgaram os jogos 21 a 25, que me chamou a atenção.
Desde o nº 1 até o nº 22 (7 Wonders, 2010), eu conheci todos os jogos selecionados; tive 21 deles em minha coleção, alguns deles mais de uma vez (já explico). Os três últimos, a partir do nº 23 (The Castles of Burgundy, 2011), me são quase que inteiramente desconhecidos. Tive um deles (o nº 25, Concordia, 2013), mas vendi-o sem nunca tê-lo jogado.
Bastou-me ver os anos de lançamento para entender o motivo para isso. Em 2010, deixei para trás tanto meu primeiro casamento quanto Brasília, a cidade onde cresci. Deixei para trás, especialmente, a vida confortável que eu levava até então. Por muitos dos anos subsequentes, as dificuldades financeiras e as responsabilidades do meu segundo casamento (2011) tiveram o duplo impacto de impedir que eu comprasse novos jogos, e de eu aos poucos vender os meus jogos.
Duas ou três vezes, quando a situação financeira parecia mais estável, eu procurei refazer um pouco da minha coleção, readquirindo alguns dos jogos que eu mais apreciava. Três ou quatro vezes, novos reveses me forçaram, novamente, a vendê-los.
Suponho que eu nunca deixarei de ser um nerd; mas é estranho notar que, nestes últimos quinze anos, o meu lado nerd esteve um tanto abafado. Por assim dizer, não sou um nerd atualizado: pouco sei dos jogos, filmes, séries, quadrinhos deste período. A cultura nerd contemporânea é essencialmente uma cultura consumista, e eu passo longe disso. Eu sou aquele nerd à moda antiga, do tipo que ainda prefere discutir as minúcias do processo de criação literária de Tolkien a discutir as últimas produções cinematográficas em cima de sua obra (que eu sequer vi!).
Mas, afinal, uma das características destes nerds à moda antiga também é o de criarem seus próprios caminhos, ao invés de trilharem os caminhos de outros. Então, sigo criando os meus, sigo minha caminhada, ao som das águas.
E jamais termina
Meu caminhar
O amor me ensina
Que não vou chegar
Porque sempre estou
Onde quero estar
Por onde vou
Quero sempre amar