Criar e arrumar o meu jardim digital está sendo um exercício muito interessante. Primeiro, porque estou reencontrando muitas de minhas anotações e ideias, e espero poder dar seguimento a várias delas.

Segundo, um efeito muito importante: baixar a minha bola. Especialmente quando eu estava escrevendo o Homo regulans, eu estava entusiasmado com minhas ideias, ardendo de vontade de mostrar a todos como eu estava percebendo e entendendo os riscos que as democracias estão correndo no mundo.

Quatro anos depois, eu tenho lido muito a respeito disso. Há muita, muita gente boa com esta preocupação, e com pontos de vista ricamente múltiplos.

Nesta multidão, o que tenho a dizer continua tendo relevância, tanto pelo tema em si quanto pela perspectiva singular que trago a ele.

O ponto importante é que eu sou apenas uma voz… uma vela. Contribuo para a luz que muitos tentam fazer brilhar em meio à treva.

Mas é isso. Meu impacto é pequeno, provavelmente ainda reduzido pela minha decisão de remover minha produção das “redes sociais” que vampirizam nosso trabalho coletivo.

Não faz mal. Sinto-me feliz em continuar a ser uma vela. Talvez eu ainda acenda alguma vela; talvez a minha fraca luz apenas mostre um caminho possível, que outros poderão trilhar.

Ainda hoje, fiz uma pequena alteração na estrutura de meu jardim digital. Eu já havia criado um mecanismo que abre uma página aleatória. Originalmente, ele tinha o rótulo “Sugestão de leitura”; hoje, substituí isso brevemente por “Página aleatória”, mas depois me dei conta de que eu não preciso ser burocrático ou formal em meu próprio jardim!

Agora, o texto que convida o leitor a visitar um trecho aleatório de meu jardim é No hay camino — um trecho do lindo poema de Antonio Machado, em Proverbios y cantares (XXIX). Mover o cursor sobre o texto amplia um pouco a citação — aparece Caminante, no hay camino, se hace camino al andar.

Pois então. Sigo sendo uma vela, criando um caminho na treva enquanto ando por ela.