Ontem, li um artigo muito interessante da Vera Iaconelli:

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/vera-iaconelli/2024/04/esposas-tradicionais-e-os-feminismos.shtml

O artigo faz menção a um outro artigo, publicado na New Yorker Magazine, sobre o movimento das “esposas tradicionais”, ou trad wives. Fui procurar, e achei-o também uma leitura muito interessante:

https://www.newyorker.com/culture/persons-of-interest/the-rise-and-fall-of-the-trad-wife

Pelo final, o artigo trata do “sequestro” do movimento pelo capitalismo digital contemporâneo, realçando a desilusão da sra. Pettitt com esta apropriação.

Isso me provocou uma reflexão. Até que ponto também não houve uma apropriação capitalista do movimento feminista? Afinal, durante muito tempo vendia-se a ideia de que a “mulher moderna” conseguiria trabalhar, ser uma profissional de sucesso e também cuidar da casa e dos filhos.

Já vi estudos mostrando como o trabalho doméstico, majoritariamente feminino, foi essencial para os estágios iniciais do capitalismo — afinal, o trabalho doméstico é extremamente mal remunerado, quando o é. Nesta minha reflexão, parece que o capitalismo capturou o ideário feminista para conseguir que as mulheres mantivessem o trabalho doméstico, e ainda passassem a fazer parte da força de trabalho externo — claro, com remuneração menor que a dos homens!

Importante realçar que este cenário é o cenário da mulher de classe média… porque o “ideal vendido” é a realidade da imensa maioria das mulheres há muito mais tempo.