Luiz Cláudio, [21/04/2023 09:51]
    O vídeo do prosissional de TI. Pensando no letramento normativo. O sujeito fica perguntando o tempo todo, exatamente como as pessoas perguntam a quem conhece as regras.

O site letmegooglethat.

Há uma questão de economia envolvida aqui: é mais rápido perguntar do que procurar e entender. Mas é mais rápido / eficiente porque há um investimento de energia, necessário para aprender a entender a explicação.

É importante notar que isso acontece mesmo no intercâmbio entre explicador e explicado! Mas, aqui, o gasto energético é dividido — logo, fica mais fácil de ser pago.

    Luiz Cláudio, [21/04/2023 11:53]
    Parte da irritação provém do investimento energético da resposta. Uma pergunta como "quanto custa a companhia X?" envolve um gasto energético reduzido para ser respondida. Já uma pergunta como "quais são as diferenças entre estes dois jogos"? envolve um gasto energético muito grande para ser respondida.

Quando o gasto energético é bem pequeno, a irritação aumenta. “Que horas são?” “Tem um relógio no seu braço!”

    Luiz Cláudio, [21/04/2023 12:05]
    O problema da pessoa que pergunta incessantemente é que ela termina por ser percebida como um freeloader pelo perguntado. Mas há muitos perguntadores que acham isso natural — "eu só estou perguntando", "não custa responder". Claro — o gasto energético não é deles, então é minimizado e menosprezado.

A piada do mecânico e do parafuso de R$100.

Profissionais que são consultados fora de seus ambientes de trabalho. “É só uma perguntinha”.

    Luiz Cláudio, [21/04/2023 12:16]
    Como em tantas outras coisas da vida, o jogo reflete algo que acontece fora dele; mas, no jogo, fica mais evidente.

    Luiz Cláudio, [21/04/2023 12:17]
    Quando o explicador coloca o player aid à frente de outro jogador, mas este prefere perguntar ao invés de consultar o aid, está implicamente menosprezando o investimento energético do explicador. No meu caso, eu ainda havia realizado o investimento energético para criar ou traduzir o aid, o que aumenta a irritação.

    Luiz Cláudio, [21/04/2023 12:18]
    Avaliar o investimento em termos de energia ajuda a perceber o que está havendo. Em nossa sociedade extremamente monetarizada, é fácil menosprezar gastos que não são imediatamente perceptiveis em termos monetários — especialmente quando o outlay não foi pago pelo freeloader.

    Luiz Cláudio, [21/04/2023 12:20]
    No caso dos jogos de tabuleiro, há uma necessidade muito real de explicar as regras. É "obrigação" de quem leu as regras. Mas há resistência quando o explicador tenta reduzir o seu investimento energético. Até aí muito bem, porque todos querem reduzir o seu próprio investimento; mas há então a tentativa de auferir lucros com o investimento energético alheio, sem nada dar em troca.

    Luiz Cláudio, [21/04/2023 12:22]
    Mais ainda. Tempo de jogo é visto como "passatempo", ou "perda de tempo", e lazer não é precificado — ou melhor, é precificado somente em uma direção. Isso é duplamente verdade para o tempo de preparação para um jogo! Mesmo que exija um tempo e uma energia superiores aos investidos na partida.

    Luiz Cláudio, [21/04/2023 12:23]
    Há um conflito de expectativas. Os explicados esperam receber tudo pronto — e há mesmo os que, como no meu curso, querem inclusive saber como jogar bem! Já os explicadores querem poder reduzir o investimento que já realizaram.

    Luiz Cláudio, [21/04/2023 12:24]
    Por causa deste conflito de expectativas, é tão comum vermos mesas de jogo, nos grupos de aficionados, com a advertência "leiam as regras antes".

    Luiz Cláudio, [21/04/2023 13:23]
    teoria da escolha responsabilidade bernoulli (EDUARDO)