Comentário da Christiana Meyer, participante do grupo Ludus Off-Topic, e a minha resposta. O contexto era uma discussão sobre a perda do submarino Titan e sobre as operações de buscas.

Eu li uma matéria falando do desaparecimento de um submarino argentino uns anos atrás. Foram gastos 7,5 milhões para encontrá-lo e um ano depois acharam e não havia recurso financeiro para resgatar a embarcação. https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/submarino-argentino-que-desapareceu-em-2017-foi-encontrado-apenas-um-ano-depois/

A comparação é interessante e inevitável, mas vale a pena ressaltar alguns pontos.

No caso do ARA San Juan, as buscas iniciais eram no sentido de resgatar os tripulantes e não o submarino. O mesmo aconteceu no caso do Titan. Tanto em um caso quanto em outro, é uma corrida para tentar localizar o casco da embarcação, e descer até ela um submarino de resgate, dentro de um tempo muito reduzido.

Depois que a “janela” se fecha, já se sabe que o casco será, na melhor das hipóteses, um túmulo submerso. Nem isso aconteceu com o San Juan; o casco implodiu e havia partes espalhadas por uma grande área.

Não tenho ideia de quais foram os custos das operações de buscas iniciais; provavelmente foram bem superiores ao custo de localização dos destroços. Mas buscas por sobreviventes, mesmo quando não têm sucesso, têm um valor que não se pode medir diretamente em dinheiro: treinamento operacional, em condições reais, das equipes envolvidas; e um investimento em capital humano, dirigido ao público e ao pessoal uniformizado (“nós nos preocupamos em salvar vidas”).

Por sua vez, a operação de localização dos destroços não foi realizada para saber onde colocar uma cruz em uma carta naval. Era importante para procurar entender o que aconteceu com o San Juan. Nunca teria o objetivo de resgatar o casco em si, porque isso não faria qualquer sentido. Uma comparação muito grosseira seria com a operação da CIA, nos anos 1970, para resgatar apenas a proa do submarino soviético K-129; em dinheiro da época, custou 800 milhões de dólares (quase 5 bilhões em dinheiro de hoje). Conforme estimativas de 2010, o ARA Santa Fe, que ainda não estava concluído, custaria 60 milhões de dólares para ficar pronto. Ninguém gastaria dezenas ou centenas de milhões de dólares para resgatar pedaços do casco de um submarino construído há quarenta anos.