Muito interessante. Momentos nos quais Marcelo se insurje contra a interpretação do que disse, ou deixou de dizer.

    [6:55 PM, 1/2/2023] Marcelo: A primeira "briga" q tive no ceub foi com uma professora q ensina "currículo". Quais as matérias de um currículo, ela perguntou? E aí eu fui naquela q sao aquelas q são ensinadas.
    [6:56 PM, 1/2/2023] Marcelo: Nunca tinha percebido q é uma escolha!
    [6:56 PM, 1/2/2023] Luiz Cláudio: Digo mais: uma escolha arbitrária.
    [6:56 PM, 1/2/2023] Marcelo: Vai ser tapado lá no raio q o parta
    [6:56 PM, 1/2/2023] Marcelo: Não...
    [6:57 PM, 1/2/2023] Marcelo: Uma escolha socialmente definida
    [6:57 PM, 1/2/2023] Marcelo: Quem escolhe está num contexto
    [6:57 PM, 1/2/2023] Marcelo: E estudou dentro de um contexto
    [6:58 PM, 1/2/2023] Marcelo: Não é arbitrário de jeito nenhum
    [6:58 PM, 1/2/2023] Luiz Cláudio: Ah, considera determinístico?
    [6:58 PM, 1/2/2023] Marcelo: Não vamos exagerar
    [6:58 PM, 1/2/2023] Luiz Cláudio: Ok.
    [6:58 PM, 1/2/2023] Marcelo: Mas arbitrário não é
    [6:59 PM, 1/2/2023] Luiz Cláudio: "Arbitrário" não quer dizer "escolha qualquer coisa". Significa que, dentro de um leque de escolhas possíveis, não há forma de definir, a priori, qual será escolhida.
    [7:00 PM, 1/2/2023] Luiz Cláudio: É como uma jogada em um jogo. Você tem várias escolhas. Decide arbitrariamente qual vai fazer.

    [8:10 PM, 1/2/2023] Marcelo: Foi um semestre brigando com a Cristiane... tinha umas pernas... fiquei algo amigo dela. Acabou se tornando professora da UnB. Estive entre tentar o mestrado em História e a Psicologia. Cristiane até disse que me ajudava a fazer o projeto. Mas escolhi a Psicologia, e estou adorando.
    Nada posso falar do currículo da Psicologia, evidentemente. Mas o de história, depois de ter feito o curso e visto todo o problema do racismo e desigualdade social (e a representação disso nos livros escolares) fiquei naquela: pra que estudar a história de Roma? Faz sentido? Lá na Europa faz. Vc anda na rua e tropeça numa pedra romana. Mas mais do que estudar ou não a história de Roma é não estudar a história da escravidão. Nós devíamos estudar escravidão como se estuda Roma, ou idade moderna. E escravidão (e foi difícil aqui pro advogado entender) não é um estatuto jurídico. É uma posição social. O preto livre não é livre. Ele só encontra trabalho de preto e preto e tratado como preto. E aí vai. E as exceções do José theodoro não mudam isso.
    [8:11 PM, 1/2/2023] Luiz Cláudio: Nós não devemos estudar escravidão como estudamos Roma -- porque é tema importante demais para ser esgotado em duas aulas mal dadas, em cima de duas páginas do livro!
    [8:12 PM, 1/2/2023] Luiz Cláudio: Raciocinar apenas pelas exceções é, no mínimo, insensato.
    [8:14 PM, 1/2/2023] Adriano: Sem dúvida
    [8:14 PM, 1/2/2023] Marcelo: Vc entendeu o q eu quis dizer
    [8:15 PM, 1/2/2023] Luiz Cláudio: Engraçado, minha filha sempre usava esta resposta também, quando era pré-adolescente.
    [8:15 PM, 1/2/2023] Luiz Cláudio: Verdade que eu sempre fui chato. 😁

    [5:25 AM, 1/3/2023] Marcelo: Se o Freud pôde criar a psicanálise tendo como caso de estudo ele mesmo, eu posso ao menos pensar na psicanalise tendo como caso de estudo eu mesmo.
    Estou muito preocupado com a escolha da Daniela pela carreira de diplomata, ante a dificuldade do concurso. @CL , pelo amor de Deus, não vá repetir isso para seus filhos. Tenho medo dela não passar, apesar de estar estudando tanto! São muito poucas vagas.
    Ontem estava vendo o primeiro longa metragem do "universo " Star Treck.
    Dito isso, vem o sonho que tive, fruto não de um inconsciente cheio de conteúdos reprimidos e pulsões mas de uma construção de uma realidade distorcida, composta de elementos do real e, sim, emoções.
    Sonhei que eu era advogado de uma causa em fase de execução de um crédito em moeda marciana e que precisava contestar a conta do perto do juízo. Eu estava desesperado para achar alguém que refizesse as contas pois eu era incapaz de fazê-lo. O credor do crédito dependia demais desse dinheiro é de mim. O credor não tinha mais ninguém para ajudá-lo.
    Na medida que escrevo isso, vou perdendo os pedaços do sonho, esquecebdo-o. Resistência? Duvido. Apenas algo intrínseco à dinâmica dos sonhos e sua recordação. Ao acordar tinha certeza que o credor era minha filha e essa história toda marciana derivou do filme. Por outro lado, eu, como advogado angustiado, sou o pai angustiado. E essa coisa da moeda marciana é sua conversão, é o grau de dificuldade e perigo que há no cálculo das dívidas nas execuções.
    Seja lá o que representa o sonho, porém, que coisa mais louca sonhar com uma execução em moeda marciana.
    [5:27 AM, 1/3/2023] Marcelo: .... a conta do perito do juízo ...
    [5:29 AM, 1/3/2023] Marcelo: Credo! Filme de terror! Na verdade, diria que foi um pesadelo
    [5:32 AM, 1/3/2023] Luiz Cláudio: Bom, eu sempre pensei que o que define o pesadelo não é o seu assunto, e sim a sensação que inspira.
    [5:35 AM, 1/3/2023] Larissa: Penso da mesma forma...
    [5:43 AM, 1/3/2023] Marcelo: Não disse nada diferente. Minha angústia era enorme e liquidações em moeda marciana são de filme de terror para advogados, ao menos para mim. Tudo depende do contexto. Tive um pesadelo recorrente quando estava pra formar. Sonhava que na hora de receber o diploma, ele me era negado porque descobriam que eu não tinha concluído o segundo grau !

[9:24 PM, 4/21/2023] Luiz Cláudio: Marcelo, não vou me estender. Eu fui vítima periférica dos abusos de minha mãe; minhas irmãs sofreram muito mais às mãos dela. Em momentos e circunstâncias diversas, fui vítima de gaslighting por anos, antes de perceber o que se passava. Finalmente, as peculiaridades da minha doença causaram problemas todos próprios. Nada disso foi gigantesco, felizmente. Mas tenho profundo respeito e empatia pelo sofrimento de pessoas que são vitimadas.

Você tem razão quanto ao sofrimento auto infligido, claro. Ele é bem real, e é nocivo — pessoalmente, eu não diria doentio. Mas é nocivo, e não apenas para quem o cria, senão também para as pessoas à sua volta.

    Minha crítica era ao tom retórico que você adotou, provavelmente sem pensar, deixando implícito um "(todo) sofrimento é autoinfligido".
    [9:30 PM, 4/21/2023] Marcelo: WhatsApp não fica nunca claro