Metáfora do futebol para o hardball. O jogador faz tudo certo, mas apenas para chutar a bola para fora. Pode até satisfazer a plateia, mas não está cumprindo o objetivo do jogo.

Interessante. Crescemos sob um regime de arbítrio, que foi aos poucos sendo desmontado, especialmente depois de 1988. Os anos 1990 foram o ponto alto de um movimento de realização do Estado de Direito. A primeira década deste século poderia ter sido a continuação, mas foi profundamente maculada pelos sucessivos escândalos — principalmente do PT, mas também de outros. Os escândalos de Collor e dos anões do Orçamento foram resolvidos com os instrumentos do Estado de Direito… mas os escândalos deste século, ou não foram resolvidos, ou deram margem a novos arbítrios. Diferentemente dos antigos, estes não se baseiam mais na força despida do “artigo .45”, mas na perversão de poderes concedidos pelo Estado de Direito. Então, terminam por negá-lo, mesmo quando ostensivamente usados para defendê-lo.

Quando eu nego a legitimidade da origem do meu poder, eu tenho que providenciar outra. Só que as que são oferecidas não se sustentam. Basta ver o que aconteceu com Moro.

O poder somente se exerce com o consentimento dos subjugados. Isso é básico, desde o século XVI. Então é necessário convencer. É por isso que as redes sociais são tão eficazes em perverter o poder: elas oferecem uma maneira simples de convencer!

O poder pode ser exercido de várias maneiras. Algumas são as esperadas, outras transgridem normas informais ou formais. Os crimes contra a administração refletem usos indevidos do poder. Por si so, o poder é como uma regra de jogo. Como será usado depende do jogador e não da regra.