Ao falar em meios menos eficientes, Suits está vendo o jogo de fora do sistema. De dentro do sistema, não são os meios menos eficientes. A própria vitória é uma definição interna ao jogo. Fica pior no caso de jogos que não têm vitória e finais definidos.
Dentro do sistema, as capacidades humanas são redefinidas. Não são as capacidades totais do jogador. Isso fica mais claro no caso de um jogador digital.
Um insight interessante sobre jogos. Suits fala que o jogo funciona pela existência de empecilhos à realização do objeto do jogo.
Mas o jogo PBLH, que eu estou desenvolvendo, não coloca empecilhos; ele funciona como um facilitador / catalisador para provocar a criação de uma narrativa.
Seria fácil dizer que ele não é um jogo de verdade. Mas Suits fala em outros que também não são…
Mas mesmo em outros jogos a afirmação dele cai por terra. Qual é o objeto da Amarelinha?
Lá, como em outros jogos, não há um objeto a alcançar, e as regras o dificultam — o jogo é o seu próprio objeto, o objeto é o jogar, eu me bato porque me bato…
Penso que o problema com a visão de Suits é que ele parece achar que o objeto do jogo pode ser considerado de forma separada do próprio jogo. Isso é válido para algo como alpinismo — mas muitos jogos definem e criam o seu objeto! Ou seja, o objeto somente faz sentido como parte do sistema, e é indissociável dele. Em um jogo como Buraco, não existe uma pontuação dissociada das regras do jogo — e, se eu vou considerar as regras de pontuação, porque considerar estas e não as demais regras?
Isso também cai por terra mesmo com um jogo físico, como o Futebol. O objetivo é fazer mais gols que os adversários, verdade. E o gol é um ato físico, que pode ser realizado facilmente — pego a bola com as mãos e a levo até atravessar a linha do gol. Mas não basta um gol — o objeto é fazer mais gols que os adversários, dentro do tempo da partida — e aí está mais uma regra constitutiva!
(Sem falar que a definição de gol também é intrínseca ao jogo; não é o ato de fazer a bola atravessar a linha do gol, mas fazê-lo sob determinadas condições!)
No Xadrez, o objeto é remover a possibilidade de movimentos do Rei adversário — movimentos que somente fazem sentido porque as próprias regras os definem!
RPGs e limitações
Os RPGs trazem uma perspectiva interessante para as regras como limitações. Um dos jogadores não tem limitações nas regras: ele é onipotente dentro do círculo mágico.
Mas, como qualquer participante em qualquer jogo, ele está sujeito a restrições. Só que as suas restrições são inteiramente externas ao círculo mágico, decorrem da natureza social da interação lúdica — suas restrições são as expectativas dos participantes!
Bolsonaro acha que é um GM.
RPGs focam em apenas um aspecto da modelagem de INT: como resolver problemas. Stark em Avengers torna-se perito da noite para o dia.
Isso espelha uma limitação básica de como funcionam as regras dos RPGs. Sair da resolução de problemas para aspectos mais complexos da vida exige winging it pelos participantes.
Alice is missing procura dar um foco ao winging it, mas precisa justamente ter o foco em um problema bem definido.
Traveller sai do binarismo não sei nada / sei o que preciso do uso de XPs para adquirir skills.