Eu entendo jogos como uma forma de arte. Dentro da Filosofia, a Estética inclui o problema de definir “arte”, em tudo semelhante ao problema de definir “jogo”. Vou empregar para o primeiro a mesma abordagem que emprego para o segundo: nem vou me dar ao trabalho de entrar nesta briga…

Mas você pode considerar que estou usando aqui uma definição estipulativa: para os meus fins, a arte consegue exprimir emoções.

Hm. Talvez seja melhor dizer “expressar” emoções?

Que tal “inspirar” emoções? Ou “provocar”?

Há uma característica compartilhada por todas as linguagens: nem sempre o que o ouvinte / receptor entende era exatamente o que o falante / emissor queria que ele entendesse. Em alguns casos, este desencontro pode ser problemático; em outros, pode ser visto como uma marca de qualidade. Há todo um ramo da Estética que se ocupa com a recepção da obra, ou seja, como é recebida e interpretada por quem não é o seu autor.

Ao interpretar jogos como arte, vejo neles a capacidade de exprimir, expressar, inspirar, provocar emoções. Exatamente como obras de arte, alguns jogos fazem isso muito bem, e outros muito mal. Tudo bem: como qualquer jogador sabe, não se pode ganhar todas.

Um lado desta comunicação é o do criador do jogo. Que emoções ele expressa com sua obra? Pode ser a satisfação em propor um quebra-cabeças. Ou a frustração em ter que criar algo para pagar suas contas. Talvez o fascínio com um tópico.

Como quer que seja, sua criação expressa algumas de suas emoções, revela um pouco sobre quem é ele.

Pelo lado dos jogadores, que emoções podemos identificar? A euforia da vitória é muito comum, assim como o desespero da derrota. Um crescendo de suspense. A camaradagem de uma equipe que enfrenta um desafio comum. A sensação de “deu clique” ao perceber uma relação.

Há muitas mais, claro, de um lado e de outro. E lembro que os jogadores também são criadores: usando a metáfora que já usei no Homo regulans, o que está dentro da caixa é apenas um jogo em potencial — ele será criado por seus jogadores.

Criando e jogando, mais uma vez revelamos muito sobre nós. Despimos as máscaras do cotidiano e envergamos as máscaras do jogo — mas até mesmo a escolha das nossas máscaras lúdicas expressa emoções. Agressividade. Placidez. Falsidade. Alegria.

Em que vemos a graça do jogo?

Cada um de nós tem a sua resposta.

Dentro da caixa do jogo, temos o potencial para muitas emoções.

Toda arte expressa emoções. Mas algumas formas artísticas conseguem transmitir ainda outros tipos de informação — basta comparar as artes visuais com as artes da palavra, por exemplo.

A linguagem dos jogos também vai além das emoções.