Regras nos jogos: a questão dos trapaceiros, a relação das pessoas com as regras. Algum filósofo já se debruçou sobre a questão “regras”? Parece que poucos se ocuparam disso, exceto talvez Wittgenstein.

Huizinga fala da questão das regras do jogo, e menciona dois tipos de trapaceiro. Um deles viola as regras para ganhar o jogo. O outro nega o próprio jogo.

Lembro da aula que eu dei para o Adriano em 2016. Trocando ideias com ele.

Pensando em uma hierarquia das regras: as regras que definem o jogo estão sobre as regras que dizem como o jogo é jogado. Violar este nível de regras não invalida o jogo, violar o primeiro nível sim.

Minha associação com a colocação de Popper: o paradoxo da intolerância. O intolerante quer usar a norma — que ele próprio nega a outros — para proteger a si. Cria-se uma assimetria.

O jogador de futebol que comete falta e nega este direito ao adversário.

QUAIS SÃO AS CARACTERÍSTICAS DAS NORMAS QUE PERMITEM ESTA ASSIMETRIA?

Existem normas que são meramente formais. Fórmulas de casamento, por exemplo. Fundo partidário: pode ou não haver uma norma assim, e o valor do fundo não é relevante.

Normas sobre o exercício do poder: crimes e penas. Isso vem desde Hamurabi.

Mas surgiram os direitos naturais. Direito à vida, direito à liberdade de expressão. Estes direitos não dependem do poder.

Usar o jogo como microcosmo para estudar algo maior. Estudar regras de jogos pode ajudar a entender as Regras informais|regras sociais.

A regra do jogo como reprodução da Regras informais|regra social.

Piaget e Huizinga falavam nisso.

O livro do Harari menciona que estamos em um processo evolutivo de qualificação dessas nossas relações sociais

Piaget começa falando no jogo de bola de gude, o que a criança aprende com seus pais no que toca às regras.

O autocontrole como elemento essencial do processo civilizador de Elias.

Referência aos temas discutidos no artigo sobre Ética e Jogos (FAEL, Crossroads).

Foge-se do autocontrole. O controle é terceirizado.

Nos jogos digitais, você fica “alienado” da realidade, e constrói uma nova realidade. Adriano entende as políticas afirmativas como um dos casos do paradoxo de Popper. Não concordo.

“Eu quero destruir a liberdade de expressão de outros, e exijo para isso a proteção da liberdade de expressão.”

Isso nega a legitimidade do escolhido como “outro”. Eu tenho direitos, e os meus pares também têm. O “outro” não tem.

Comparação com a situação dos índios e dos escravos.