Transgredir as regras é assunto sério.
A audiência de Batman the animated series é juvenil. Selina Kyle tem que ser presa.
A mesma audiência, anos depois, viu Selina com Bruce em Florença e aceitou isso. Já sabem que algumas regras podem ser quebradas.
Os poetas, assim como autores à Guimarães Rosa, transgridem as regras da língua, mas isso — tradicionalmente — só é aceito depois que provam a capacidade de respeitá-las.
Primeiro se aprendem as regras. Depois se aprende a cumprir as regras. Somente então podemos aprender a transgredir de forma aceitável.
O trapaceiro salta este percurso. Isto é parte do que o torna desrespeitado.
Mas não é só isso. Qual é a motivação para a transgressão? Isso é chave. O trapaceiro que transgride por transgredir, ou para lograr lucro pessoal, é mais desprezível que o trapaceiro que transgride para realizar um bem maior.
Realizar. Especialmente no mundo de hoje, meramente proclamar o bem maior mostrou ser ainda mais desprezível do que a trapaça pessoal.
Conflitos de regras, conflitos de lealdades, não são nada de novo. As narrativas se nutrem disso. Quando Caesar decidiu atravessar o Rubicão, ele pesou Regras informais|regras sociais — suas dignitas e auctoritas — contra regras formais da República, e deu prioridade às primeiras. Catilina fizera o mesmo. Caesar venceu e é admirado, Catilina perdeu e é execrado.
Liberdade de expressão não é liberdade de mentir. Liberdade de expressão não permite gritar “Fogo!” em uma sala lotada (procurar origem; Oliver Wendell Holmes?).
Liberdade não significa eu faço o que eu quero e danem-se os demais. Isso é Aleister Crowley e não liberalismo.