Ontem, conversei com o Adriano sobre formarmos um grupo de conversas transdisciplinares, gravadas em vídeo, ou irradiadas ao vivo — Streamyard, provavelmente.

Hoje, mandei este texto para ele, detalhando a proposta:


Tive uma ideia sobre a roda de conversas. Penso que há espaço para uma exploração de conceitos operacionais. Esta ideia se baseia em uma analogia com a arte militar, então faço uma breve digressão, para estarmos no mesmo ponto, e já aprofundo a proposta.

Há três níveis principais na arte militar. O nível tático é o de aplicação direta da força; o nível estratégico é o de decisão sobre onde a força vai ser aplicada. O nível operacional se situa entre os dois; ele proporciona os meios para que o nível tático realize a decisão do nível estratégico.

Vamos à analogia, pensando em termos acadêmicos. O nível estratégico é o nível dos programas de pós-graduação e de suas linhas de pesquisa. O nível tático é o das pesquisas propriamente ditas, e dos seus produtos.

O nível operacional é o nível dos conceitos “macro” e das metodologias. Sinto que faltam explorações neste nível.

Por exemplo, o canal do LabFeno inclui um vídeo sobre laicidade e religiosidade, e outro sobre psicologia na presecução penal. Naturalmente, o conceito-raiz da Fenomenologia é amplamente discutido em todas as atividades do LabFeno. Mas, pegando o caso do vídeo sobre laicidade e religiosidade: quais conceitos estão “no meio do caminho”, entre o da fenomenologia e os da laicidade e religiosidade? Fé, talvez? — e penso no tamanho da discussão suscitada sobre fé no verbete da Stanford que lhe mandei outro dia.

Pensando nos jogos. Praticamente qualquer trabalho com algum fôlego se mete a definir jogos, geralmente copiando acriticamente uma definição qualquer. E aí temos pesquisas desenvolvendo um jogo, ou mostrando o uso de jogos para ensinar Física, ou coisa assim. Mas e os conceitos intermediários? Por exemplo, o que é, o que faz um jogador? O que caracteriza o sistema de regras de um jogo?

Todos são conceitos tão usados, que as pessoas acabam achando que os conhecem, mas não os problematizam.

Isso sem falar nas metodologias. Especialmente as qualitativas — acabam sendo usadas de forma meio atabalhoada, às vezes até ex post facto, só para ticar a necessidade do documento final.

Então, a minha ideia é explorar metodologias e “conceitos intermediários” — as ferramentas que usamos para realizar a visão estratégica nas pesquisas táticas. Daí, “conceitos operacionais”.

Que lhe parece?