Considerando o jogo como um sistema normativo, como os seus stakeholders se relacionam com as normas constitutivas e com as normas funcionais do sistema?

Motivação

O impulso para esta pesquisa vem de duas inquietações.

A primeira aconteceu durante minha Pesquisa de mestrado. Durante a fase de coleta de dados, muitos dos participantes aprenderam jogos que não conheciam. Durante a explicação das regras, achei curioso que vários tinham a expectativa de que aprender as regras corresponderia, automaticamente, a saber jogar bem, e ficavam insatisfeitos ao perceber que a explicação das regras não contemplava este tema.

Lembra o caso famoso de Euclides: “não há estradas reais na geometria”.

A segunda decorre da observação de eventos, nacionais e mundiais, chamados por alguns comentadores de “crise das democracias”, e que em parte se manifesta pela perversão das regras destas democracias. Não pela transgressão pura e simples das regras, mas pelo uso das regras contra o próprio sistema que elas formam.

De certo modo, trata-se de situações análogas ao famoso Paradoxo da Tolerância, de Karl Popper.

Ambas as inquietações abordam aspectos fundamentais de Sistemas normativos: em um caso, os Jogos, e, em outro, o Estado de Direito. Em ambos os casos, há uma relação entre as regras e os agentes que diverge da relação idealizada pelos formuladores dos sistemas.