Lendo uma matéria sobre a cultura dos jogos digitais e a violência étnica. A associação de jogos digitais à violência real não é novidade, mas a matéria chama a atenção para as novas formas de associação ou correlação.
https://harvardpolitics.com/culture/alt-right-counterculture/
Eu tenho refletido bastante sobre as regras em jogos e sobre as regras no convívio social. Em um jogo de tabuleiro, nenhuma regra se impõe por si: todas as regras têm que ser implementadas pelos jogadores.
O mesmo acontece com as normas sociais.
Isso também acontece nos jogos digitais, mas com uma diferença fundamental. Neste jogos, as regras são criadas pelos designers e programadores, estão escondidas dos jogadores, e são-lhes reveladas na prática, de forma impositiva e absoluta pelo computador que controla o jogo. Não há qualquer possibilidade de escapar a estas regras, porque elas definem o próprio mundo interno àquele jogo.
Só que isso tira do jogador a responsabilidade de implementar as regras do jogo. Isso cria nele duas falsas sensações: a de que ele não precisa implementar qualquer regra, e a de que qualquer coisa que ele consiga fazer é ipso facto autorizada pela realidade.
Nos dois casos, temos o fomento de percepções que são antitéticas à vida em sociedade.
Adriano:
Volto ao início: a Geografia Humanista flerta com a Fenomenologia, com a qual trabalho, e cujo grande legado (mesmo que não único) é o reconhecimento da interrelação entre sujeito e mundo. Então, comentei com os presentes, que certamente e igualmente não conheciam muito de Fenomenologia, o quão importante seria reconhecer este legado; pois certamente mudaria (e muito) a forma de se pensar, por exemplo, “meio ambiente”. Para além da normativa cartesiana clássica, que posta o sujeito como “senhor e possuidor da natureza”; e para além das métricas místicas de movimentos “green”, nos levaria (e ainda mais a nossos descendentes, pois serão eles que porventura mudariam isto, no caso, nossos filhos) a rever nossa forma de pensar a natureza, com comportamentos simples, como não jogar lixo na rua, diminuir o uso de plástico, ou simplesmente cuidar do verde. Finalmente junto os dois assuntos: desmatamento na Amazônia e papel da intelectualidade. Falhamos todos, enquanto professores (quantos de nós se recorda das aulas de Geografia no ensino primário ou médio? Quantos de nós saberia a diferença entre uma enseada e uma baía?…), enquanto promotores de ações na sociedade. Falhamos ao nos colocarmos “fora” do circuito do pensamento, reificando as antigas e infindas hierarquias, que nos colocam no pedestal dos “intelectuais” que vomitam um “saber”, sem se reconhecer copartícipes na construção de um saber naturalizado, que insiste em encher as cidades de prédios, de cinza, de carros, de fumaça, e perde a chance de brincar nos parques e se emocionar com a plenitude do verde da mata…
Tangenciando o assunto. Eu ando refletindo e pesquisando sobre aquela relação entre jogos e regras, que mencionei aqui há alguns dias. Hoje eu estava conversando com a Adelaide e ela mencionou o trabalho de um conhecido nosso, na área de percepção de linguagens. O trabalho dele lida diretamente com o conceito de affordances. Você conhece, ou usa, este conceito? Ok. Este conceito é muito usado em design de jogos: os affordances de um jogo são as coisas que o jogo permite que o jogador faça dentro do seu ambiente. Ocorre que o jogador está inserido no ambiente do jogo, mas não deixa de estar inserido no ambiente “real”, que tem seu próprio conjunto de affordances. E ninguém separa estes dois ambientes de forma estanque, já que o próprio jogador é o elemento de ligação entre eles.
Huizinga avisa que os grupos de jogadores tendem a ser permanentes. Para o bem e para o mal.
“We have to remember that games don’t exist in some kind of vacuum”
Negativity in board game media
🥧 SUZANNE 🥧 (@425suzanne) Tweeted: One thing I detest about the direction the world of board game (or other pop culture or media) reviews have gone… the conflation of negative and honest.
And not just negative - brusque over-the-top negativity.
I think it’s influenced general discourse in a sad way.
(https://twitter.com/425suzanne/status/1229194187523772416?s=20)