throwtime 24 de julho
Hoje eu vou ter uma tarde divertida.
Então, o namorado da minha treinadora traiu ela. Eles acabaram. Só que ele não quer devolver as coisas dela enquanto ela não aceitar falar com ele, e ela não quer.
Vejam bem, ela treina: três zagueiros [de futebol americano], um lutador, eu e mais um outro artista marcial, um fisiculturista — e um marinheiro das Forças Especiais (SEAL)! Nós vamos lá buscar as coisas dela.
Isso deve dar uma história interessante.
throwtime 25 de julho
Então, todo mundo que falou que isso parece os Vingadores, estão certíssimos. Era bem isso que estávamos pensando quando fomos à casa do carinha. Mas olha, posso dizer com muito orgulho que não houve nenhuma violência.
Chegada:
Os superamigos todos se amontoaram na Explorer de um dos zagueiros, e fomos para a casa do carinha. Ok, o grupo: vocês me conhecem, mas o outro artista marcial é um cara pequeno, todo musculoso, que faz hapkido; os zagueiros são todos gigantes (acho que, somando os três, deve dar uns 350 quilos), o lutador parece um gorila fugido do zoológico, e o Seal é um cara bem comum, mas tem alguma coisa perturbadora nele. Muito perturbadora. Pena que o fisiculturista tinha que trabalhar.
Bom, primeiro mandamos o carinha do hapkido e o lutador para bater à porta do sujeito. Ele abre a porta, grita com eles, e bate a porta na cara deles. Então, os três zagueiros gigantes se juntaram aos dois primeiros, e tocaram a campainha de novo. Gozado, desta vez ele foi muito mais educado, mas ainda negou entrada. Aí eu e o Seal fomos também. Eu só fui, bem tranquilo, pelas escadas, para ficar à frente do grupo, mas o Seal resolveu SUBIR PELO CORRIMÃO! Nós todos estávamos olhando para ele, chocados, quando o carinha abriu a porta. Ele olhou para este grupo esquisito de gente relativamente ameaçadora, mais um sujeito encarapitado no corrimão como se fosse o Batman. Aí ele disse: “TÁ BEM! Vão pegar o que vocês vieram pegar.”
Retirada:
Então, saímos andando pela casa, recolhendo o que nós achávamos que era dela, e colocando em duas caixas. Veja, nós estávamos indo por instinto. Nós nem falamos a ela que íamos fazer isso, então não tínhamos nenhuma lista. O único que estava sendo realmente produtivo era o Hapkido, que estava mesmo procurando coisas. Os zagueiros estavam só pegando móveis ao acaso, levantando no ar, virando de cabeça para baixo, e depois colocando no lugar de novo. Só se exibindo. Se o carinha não ficasse preocupado por estar em minoria, acho que estavam mostrando para ele que podiam quebrá-lo todinho se quisessem.
O Seal só estava seguindo o carinha pela própria casa dele. Andando atrás dele, sem falar muito, só sendo assustador.
E eu… estava aprontando. O carinha não disse para a gente pegar o que tinha ido pegar? Era isso o que eu estava fazendo.
Ah, e o lutador fez um sanduíche! Porque “vocês estão com tudo sob controle, e eu adoro salada de ovo!” Nós entramos e saímos em 15 minutos.
Entrega:
Aí os transformers seguiram para a casa da menina. Ela estava do lado de fora quando chegamos. Nós descemos do carro e ela falou “como é que vocês se conhecem?” A verdade é que a gente não se conhecia. Ela mandou um email para todo mundo e não usou BCC. Foi no dia que ela estava desesperada por causa do babaca, e como ele não queria devolver as coisas dele. A gente começou a trocar emails entre nós e foi isso.
Falamos a ela que tínhamos ido à casa do ex dela. “Ai meu Deus, o que vocês disseram para ele?” “Nada. Não somos mensageiros, somos entregadores.” E aí entregamos as caixas com as coisas dela. Ela olhou a primeira caixa e disse que era quase tudo o que era dela. Aí ela olhou a minha caixa e perguntou “e isso tudo, o que é?”
Eu expliquei que eu tirei todas as pilhas de todos os controles remotos do carinha, peguei o desodorante dele, a lâmpada do armário, todos os pares de meias que eu consegui achar, os cordões dos tênis, e todos os rolos de papel higiênico da casa. Os outros olharam para mim, aprovando.
Aí ela começou a CHORAR e agradecer a gente. Então você tem este grupo doido de marombeiros ali parados, com a treinadora chorando. O Seal então falou “Que tal um chipotle?” E fomos todos comer burritos.
Que dia ótimo!




