Instruções (primeira parte)
A Velhinha de Taubaté, pág. 43
Este jogo é para crianças e adultos, mas se outros quiserem jogar também podem.
Jogam de quatro a 32 pessoas divididas em quatro equipes, desde que todas falem a mesma língua, nenhuma tenha mau hálito ou alguém na família chamado Olegário e todas caibam na mesma sala.
As equipes devem se posicionar em torno do tabuleiro de acordo com os pontos cardeais. Mesmo os não católicos. Se houver dúvida quanto à exata localização dos pontos cardeais, alguém deve sair à rua e se orientar pelo Sol, que geralmente nasce no Leste e se põe no Oeste, a não ser nos pólos árticos, onde este jogo não é recomendado. À noite, deve-se procurar a constelação do Grande Bode, que tem uma pata dianteira apontada para o Leste e a outra para o Oeste no Hemisfério Sul e faz um gesto obsceno com as duas no Hemisfério Norte, o que não ajuda muito. Melhor perguntar a um guarda.
Para decidir quem será o primeiro a jogar, todos devem gritar bem alto. “Eu! Eu!” Quem conseguir segurar os dados por mais tempo apesar de soqueado e chutado pelos outros dá início à partida. Ele deve atirar os dados pela janela e movimentar sua peça arbitrariamente pelo tabuleiro, na direção dos ponteiros do relógio --- ou ao contrário, não faz diferença --- até ser interpelado violentamente pelo jogador à sua esquerda. Segue-se meia hora de confusão com pesadas acusações de parte a parte. O jogador à direita do que iniciou a partida então joga enquanto o primeiro é levado para o hospital. Como não tem dados, lança o jogador à sua esquerda sobre o tabuleiro. Novo tumulto.
O objetivo do jogo é iniciar a Terceira Guerra Mundial.