O rapaz entra na farmácia, dirige-se ao balcão, e pede camisinhas ao farmacêutico. Este lhe pergunta “Quantos pacotes?”
“Olha, eu estou ficando com uma menina que é muito gostosa, hoje eu vou jantar na casa dela para conhecer a família, e vamos sair depois. Acho que é hoje! Então eu quero dez, por favor.”
O farmacêutico entregou-lhe dez pacotes, e o rapaz saiu feliz.
Mais tarde, já à mesa, o rapaz pede licença aos anfitriões para realizar uma oração antes de comerem. O pai da jovem concorda, e ele começa a rezar, compenetrado.
A oração dura vários minutos, e a situação vai ficando embaraçosa. A jovem se inclina para o rapaz e sussurra “você nunca me disse que era tão religioso.”
Ainda de cabeça baixa, o jovem responde entre dentes “você nunca me disse que o seu pai era farmacêutico!”
Fernando recebeu uma mensagem de Marisa, sua futura sogra, pedindo-lhe que fosse à casa dela, pois tinha um assunto sério para tratar com ele. Chegando lá, estacionou o carro na frente do portão, e entrou. Notou que o carro de Paulo, seu futuro sogro, não estava na garagem.
Quando Marisa abriu a porta, ele levou um susto. Ele sabia que ela era uma mulher bonita, mas seus olhos quase caíram quando viu o vestido colado que ela estava usando. Toda ela era um convite ao sexo, começando pelos sapatos vermelhos de salto alto, subindo pelas meias negras e pela cinta-liga, que a ampla fenda da saia deixava ver, passando pelo decote que escancarava que ela não precisava de sutiã, e chegando à boca, entreaberta, com os dentes muito brancos em meio aos lábios rubros.
Marisa deixou que os olhos de Fernando passeassem um pouco pelo espetáculo à sua frente, antes de abraçar seu pescoço e dar-lhe um leve beijo na boca. Ele ainda estava estatelado e mal esboçou um beijo de volta. Ela estreitou o abraço, e sussurrou ao seu ouvido: “Eu tinha que aproveitar você antes do casamento, venha comigo antes que o Paulo volte.” Deu uma leve mordida em sua orelha, e se afastou, olhando por cima do ombro para Fernando, e rebolando levemente enquanto subia a escada para os quartos.
Fernando estava excitadíssimo, e ainda estava processando o que estava acontecendo, quando viu a sua futura sogra entrar no quarto, deixando a porta aberta. Ele sacudiu a cabeça, mas não subiu: abriu a porta e saiu da casa, indo em direção ao portão.
Para sua surpresa, do outro lado do portão estavam Paulo e sua noiva, Estela. Os dois estavam sorrindo, embora o sorriso de Estela parecesse um pouco forçado. Paulo imediatamente abraçou Fernando, com gosto, dando-lhe tapas nas costas. Afastou-se um pouco, sem largá-lo de todo, e disse: “Meu filho, meus parabéns! Você passou no teste! Agora nós sabemos que você é um homem de palavra, e que não vai trair a confiança que nossa família deposita em você!” Abraçou-o novamente, e Fernando retribuiu o abraço, um pouco sem jeito. Depois foi a vez dele abraçar e beijar Estela, percebendo que ela havia chorado um pouco, mas que agora estava felicíssima com o resultado do teste.
Depois do jantar, Fernando pegou seu carro para voltar a sua casa, e pensava enquanto dirigia: “Nunca imaginei que voltar para pegar as camisinhas no carro ia ser assim tão bom!”
— Botou a camisinha?
— Estamos tomando todas as precauções necessárias para garantir um ambiente seguro para a penetração.
— Que papo é esse, Rodolfo? Botou ou não?!
— Calma, pra que essa pressa, essa angústia? Copularemos com toda a tranquilidade. E se acontecer alguma coisa, bem, os problemas fazem parte da vida, não dá pra prever.
— Rodolfo, deixa de falar besteira e sai de cima de mim. Sem camisinha não dá, tá maluco?
— Você sabia que o preservativo pode falhar em até 5% dos casos? Acha esse número aceitável? O importante é dar esperança, é ter fé. Se for escolha de Deus, não tem camisinha que impeça a infecção.
— Mas se não usar, é garantido que passa a doença, Rodolfo.
— Isso é alarmismo. Há muita desinformação, muito interesse comercial envolvido. Agendas políticas ocultas. Não seja inocente. A penicilina é um veneno. Lavar as mãos só ajuda as fabricantes de sabonete. Vacina mata. Você precisa ouvir outras opiniões.
— E você precisa sair da minha casa AGORA, vigarista do caralho.”
(Diogo Almeida)