Dois ótimos textos da INapta, no blog Meio-Elfo, Meio-Calabresa.

Por que menina não joga RPG?

https://meioelfomeiocalabresa.blogspot.com/2010/07/por-que-menina-nao-joga-rpg.html

Hoje em dia não é tão difícil assim ver umas gurias por aí lendo gibi, jogando RPG, se despedindo com “Vida longa e próspera” e comprando camiseta com o simbolo do Batman.

Mas há muito tempo atrás ver um ser do sexo femino numa loja de revistas e quadrinhos e RPG era coisa rara! Querendo jogar então… POATZ, só rolando um 20!

Certa vez eu tentei entrar num grupo de rapazes. Encontrei uma comunidade de jogadores da minha cidade no orkut, pedi resgate de um grupo de Ad&d. E… milagre! Meu apelos foram atendidos. Nó! Como eu fiquei feliz. Ia sair da seca de fazer nerdisse no final de semana!

Naquele dia caiu um dilúvio! Eu tomei a maior chuva, cheguei no lugar marcado parecendo um bagaço! Procurei a mesa onde o grupo estava no meio de um inferno. E gritei duas vezes quem eu era. Uma barulheira só, afinal o lugar estava lotado e fedido! Uma lojinha minúscula cheia de marmanjos que também tomaram chuva como eu, as janelas e portas fechadas, mesas amontoadas com um cheirão de cachorro molhado!

Quando me apresentei 1d6 dos 6 jogadores me cumprimentou. O mestre me empurrou uma versão do livro em inglês. (E nessa época meu inglês era realmente uma porcaria), compraram um pacote de salgadinho fedido (aquele Cheetos requeijão sabem?), e uns 2 Litrão de Fanta Uva (porque era mais barato). Mas isso era emocionante, sobreviver no underground dos rpgistas, ganhar xp e cicatrizes de batalha!

O Jogo: montei minha ficha num xerox torto, com as letras em curva na dobra do livro. 

A seguir os que conseguiram olhar pra mim apresentaram seus personagens. 

Explicando: ninguém me olhava na cara. Simplesmente assim. Como se só duas pessoas conseguissem me perceber e interagir comigo. Eu não sei se era medo, vergonha, mudez seletiva, ou eles esperavam uma modelo loira de olhos azuis super gostosa e ganharam a INapta. Genteemm*, acordem!* Isso é o mundo real! Não tinham 6 modelos de cueca na minha mesa também sabe?! 

Continuando… 

Dos dois que conseguiam abrir a boca havia um cidadão jogando com um personagem mulher. E até aí, toda a tosquice, os modos… “rusticos” eram engraçados, quase suportáveis pela paz mundial entre os generos. Mas POATZ! O personagem do cidadão era: Xexena a princesa p#ta! (E ele insistia em interpretar seu personagem descrevendo sua roupa de couro e as posições me que parava para falar com as pessoas enquando a ograda se ‘urinava’ de rir).

Não preciso dizer como ficou a minha cara.

Meninos, vocês podem ser meio mal educados, meio fedidos, meio estranhos, meio assim… Mas nunca mexam com o orgulho de uma mulher, isso não faz bem pra saúde.

Nesse momento, se o dilúvio não estive ainda pior talvez eu tivesse levantado e ido embora, mas o pior ainda estava por vir.

Então o jogo começa assim:

“Então vocês estão na Taverna…!” Hum… tá ok, um clássico!

“Você é contratado na taverna…

E aí vamos pra uma … Dungeon…”

Cara, eu fiquei um mês acertando dia, personagem, etc. Sai da minha casa no meio duma chuva do c@#$%%¨, prum lugar fedido, onde ninguém falava comigo, eu tava morrendo de fome, de frio e de ódio! Quando o filho da mãe do narrador começou a fazer essa dungeonzinha “vamos ensinar a menininha a jogar RPG” eu fiquei muito indignada. A chuva parou e eu disse que tinha que ir embora.

Nunca mais voltei lá e sinceramente sempre aconselho a ninguém a voltar a jogar com essas criaturas abomináveis

Hoje em dia no grupo que conheci na sequência (onde por acaso conheci o Igor Corvax), eu tenho a liberdade de mandar todo mundo a merda toda vez que sugerem jogar em um lugar como um posto de gasolina que conhecemos. Lugar onde eu e a outra menina do grupo temos que fazer um exercício de concentração porque não podemos usar o banheiro do lugar apesar de tomar tanto refrigerante quanto eles a tarde toda.


Então que isto sirva de lição marmanjada. Querem menina jogando com vocês? Preparemse para virar gente e seguir passinhos simples:

  1. Lugar: escolha um lugar decente!  Mesa, cadeira pra todo mundo, banheiro e sem porquice!
  2. Material de gente: Não tem ficha bonitinha? Usa uma folha em branco! Use uma coisa que dá pra ler e se o sistema é novo explique direito. Não faça porquice!
  3. História: Envolva o personagem numa HISTÓRIA! Essa coisa de dungeon e taverna não chama atenção de ninguém. Use isso pra rir no fim de semana não pra convercer alguém de que o seu grupo é bom! Sem quest porca!
  4. Conversa: Não olhem pras pessoas só pra pedir pra passar o d20! Seres humanos conversam e uma pessoa nova precisa saber quem são vocês, não quanto seu Char causa de dano! Até os porcos interagem uns com os outros!
  5. E não menos importante…  Não seja espírito de porco! Não desrespeite religião, cultura, crença ou GÊNERO! Você não conhece a pessoa na sua frente seu animal!

Sugiro que vocês passem os 5 passos pra frente, e da próxima vez que chamar uma menina pra jogar RPG cuidado! Ela pode ter lido isto aqui!

ps: essa história é bem antiga, mas no último fim de semana que fomos jogar no tal posto o Igor me sugeriru explicar pras pessoas porque menina não joga RPG. Então briguem com ele! xD

Por que menina não joga RPG… ainda

https://meioelfomeiocalabresa.blogspot.com/2011/06/por-que-menina-nao-joga-rpg-ainda.html

O post desse blog bobo que mais tem audiência ainda é o “Por que menina não joga RPG?“. E isso só porque uma dúzia de meninas ‘amarguradas’ e rapazes ‘decepcionados’ tentam descobrir porque apesar de ter uma imensidão de nerds rpgistas por aí eles não conseguem se juntar pra jogar.

Numa dessas semanas anteriores enquanto meu grupo montava fichas de Lobisomen pra iniciar uma nova campanha, a Lu, que joga conosco, veio com uma história bizarra sobre… A Mãe dela.

Estava ela na Universidade onde leciona (numa cidade no interior do Paraná), conversando com a turma, e veio saber que um de seus alunos jogava RPG. Super empolgada, querendo puxar um assunto diferente, ela conta que sua filha também joga, pra continuar com aquele clima agradável da conversa…

Mas do outro lado do diálogo veio uma surpresa tão grande, que o cérebro do guri só conseguiu gerar a resposta:

— Caaaaapaz mesmo! Menina não joga RPG professora, ela deve jogar video-game! A senhora está se confundido…

A mulher não sabia o que dizer. “Será que eu disse certo? Eu disse alguma bobagem?!”, ela deve ter pensado.

— Não! Ela joga RPG sim, aquele sentada na mesa com os amigos!

— Nãooo professora, sério! Isso não existe, RPG é coisa de menino.

E lá se foi uma discussão, até que a mãe da Lu, liga pra filha e pergunta:

— Filha, como é nome daquele jogo que você joga com os seus amigos no fim de semana?

— Ah mãe… num sei.. é RPG, Dungeons & Dragons. A gente jogou um Marvel SAGA esses dias… e agora a gente tá começando uma campanha de Lobisomen e outra de GURPS horror, várias coisas, num sei…

Transmitindo tudo isso para o aluno, quase vê o menino entrar em choque! “Mas que mundo é esse?! Como assim?! Não é possível!“.

— Dá esse telefone aqui! Alô… Luisa? É isso?! Assim, a sua mãe disse que você joga RPG???? Ahhhhh fala sério!

Pois é… é sério! Muito sério, diga-se de passagem. Eu fico imaginando se lá na cidade do tal menino as mulheres já trabalham fora de casa, dirigem, podem votar, podem não saber cozinhar e assistir futebol no domingo.

Eu não sei os detalhes da conversa no telefone, mas eu duvido que ele tenha saído convencido. Eu penso que à noite, antes do dia de sessão do grupo dele, ele fica deitado na cama pensando…

“Não… não… mas se jogar… COM CERTEZA só joga de clériga ou druida! Não deve matar nem uma mosca!”

Se referindo a mesma menina que desintegrou um companheiro de grupo para roubar um “item mágico maligno” no final da nossa campanha de Ravenloft. =D