E então eu fui tomar café na padaria… e passei na banca de jornal para comprar figurinhas da Copa para o meu filho. Olho para o lado e vejo isso aí embaixo, cuja imagem serve para registro do meu assombro…

Ao fundo observa-se uma foto em preto e branco de uma menina. O livro é “O diário de Anne Frank”, que dispensa maiores esclarecimentos… Mais à esquerda, George Orwell com “A Revolução dos Bichos”, retrata as fraquezas humanas e o estabelecimento de uma ditadura animal tão corrupta e vil quanto a sociedade dos humanos.

Eu sou um psicólogo social. Fui treinado em diversidade e multiculturalismo. A minha cabeça é voltada para o que é o diferente do convencional e isso é valor para mim… Mas eu não estou conseguindo processar emocionalmente essa prateleira de banca… e muito menos a expressão de “tá, e daí?” da vendedora da lojinha, ou a de espanto da assistente dela, quando eu expliquei que a menininha do livro de cima tinha sido morta pelas ideias do cara do livro de baixo…

Piorei ainda quando um amigo me recordou do Paradoxo da Tolerância de Popper em “The Open Society and Its Enemies”, segundo quem “Nós devemos portanto declarar, em nome da tolerância, o direito de não tolerar o intolerante.” Mas como se faz isso?

Alguém pare o mundo que eu quero descer.

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