Jogando com os genes

Publicado em 10 Oct 2020 | 2 min de leitura

Em abril de 2016, um ano após concluir meu mestrado, participei da organização de um evento acadêmico sobre jogos na UFPR. Seu título: “1º Colóquio de Perspectivas Acadêmicas sobre Jogos de Tabuleiro e RPGs”. A intenção era um evento de alcance regional, com talvez vinte ou trinta participantes.

Para nossa surpresa, tivemos 84 participantes inscritos, muitos deles professores de ensino fundamental e médio. Durante o evento, os debates com o público mostraram que há uma grande demanda por soluções lúdicas para uso em sala de aula. Isso nos forçou a uma mudança no enfoque das próprias palestras, já que não havíamos previsto este interesse.

Ficou na minha memória um pedido, formulado por uma professora de biologia. Ela gostaria de poder ter um jogo para ilustrar as leis fundamentais da Genética.

Isso me lembrou um trecho do livro Time Enough for Love (Robert Heinlein, 1970), no qual ele fala de um jogo chamado Let’s-Make-a-Healthy_Baby, uma “simulação aleatória de pareamento genético”, jogado com dois baralhos comuns, no qual

Cartas negras são recessivas, cartas vermelhas são dominantes; Paus e Ouros vêm da mãe, Espadas e Copas vêm do pai. Um ás negro é um gene letal, reforçado resulta em um bebê natimorto. Uma dama negra reforçada resulta em uma malformação cardíaca que precisa ser corrigida por cirurgia […] usar dois baralhos, com versos diferentes, permitiu mostrar graus de consanguinidade.

Heinlein não deu mais detalhes sobre o jogo. Mas penso que um jogo assim atenderia à demanda desta professora. Claro, um jogo que a atendesse não precisaria ser como o de Heinlein, e nem mesmo precisaria ser com cartas de baralho. Mas usar cartas de baralho tem a imensa vantagem de poder ser usado, com facilidade, mesmo em uma escola com pouquíssimos recursos; basta que o professor tenha uma cópia das regras.

Lamento dizer que nunca segui adiante com a ideia. Então, coloco-a aqui como um desafio, porque tenho certeza que vários leitores têm a capacidade de criar jogos assim.

Desafio

Criar um jogo sobre as leis fundamentais da Genética, conforme são ensinadas no ensino médio. As restriçṍes são as seguintes:

. duração de no máximo 15 min para uma partida

. usando materiais de fácil disponibilidade

. regras flexíveis, para que o professor possa alterar alguns parâmetros para chamar a atenção para pontos específicos

Recompensa: nenhuma, exceto a satisfação do autor.

Ficarei feliz em publicar as regras de quem responder, mas ficarei igualmente feliz se elas forem divulgadas em qualquer outro lugar.



Assuntos: jogos
Palavras_chave: jogos ensino design restrições sala de aula genética desafio