O Dia do Chacal

Sumário: Um thriller não precisa de ação para funcionar.

Publicação: 22 Feb 2021
Tempo de leitura: 2 min

Assuntos: resenhas
Palavras-chave: suspense violência investigação cinema assassino tortura
Pessoas: Chacal Claude Lebel Fred Zinnemann Edward Fox Michael Lonsdale Charles de Gaulle

Nos últimos dias, vi o filme The Day of the Jackal (“O Dia do Chacal”, 1973), dirigido por Fred Zinnemann, com Edward Fox e Michael Lonsdale. Fox dá vida ao Chacal, um assassino de aluguel contratado para matar Charles de Gaulle; Lonsdale é o comissário Claude Lebel, chefe da perseguição policial ao criminoso, e que procura impedi-lo de cometer o crime contratado.

Eu vira este filme apenas uma vez, na década de 1970, em uma sessão de madrugada na TV. À época, não me impressionou. Não sei se eu já tinha lido o livro, mas lembro de ter achado o filme muito lento.

Desta vez, fiquei impressionado. Há um suspense constante no filme, em crescendo. O cerne do filme é a oposição entre os subterfúgios do Chacal e de seus contratantes, por um lado, e a investigação das forças de segurança, por outro. Nada de mãos limpas aqui: sequestro e tortura dão pistas essenciais para identificar a trama e o assassino.

Há mortes no filme. Mas não são escancaradas: vemos mais sangue no rosto de um torturado que no corpo das vítimas do assassino, e os golpes fatais raramente são desferidos em primeiro plano. Zinnemann não tem a volúpia pela violência – “ação” – que marca tantos filmes com trama análoga.

A investigação é conduzida de forma magistral ao longo do filme. O duro trabalho em equipe, nada glamouroso, de pesquisas em arquivos, tem destaque aqui. Os planos não se desenrolam com precisão cinematográfica, mas com frustrações e tropeços – o Chacal copia uma chave que acaba não precisando, por exemplo, mas ele não tinha como saber disso anteriormente. E o final ainda guarda uma surpresa e uma pergunta, sem resposta.

Um filme muito bem feito, sem qualquer dúvida.