Ainda a alvorada

Sumário: Beleza, compreensão e gratidão.

Publicação: 27 Jan 2021
Tempo de leitura: 2 min

Assuntos: sem-assunto
Palavras-chave: caminhadas fotografia alvorada cores nuvens Sol Terra refração reflexão Academia Atenas Brasília ciência Matemática Física Geometria ensino aprendizado compreensão
Pessoas: Platão

Ontem, as nuvens coloridas pela alvorada ofereciam um espetáculo de cores e formas.

As nuvens rosadas do alvorecer.

Notei que várias nuvens semelhantes, mesmo próximas entre si, ganhavam cores distintas, indo do cinza ao dourado, contra um fundo azul que também não era uniforme, mas variava entre um cerúleo brilhante e uma tonalidade mais baça. E fiquei particularmente encantado quando percebi os porquês do espetáculo. A geometria da posição do Sol em relação à Terra, e da posição das nuvens na atmosfera, mudava a incidência dos raios de luz. Algumas nuvens, muito esparsas e quase impercetíveis, deixavam ver o ceú, mas sua presença modificava a tonalidade do azul. A quantidade de gotículas e cristais em cada nuvem modificava os seus índices coletivos de refração e de reflexão, mudando as cores. E todos estes fatores afetavam uns aos outros, criando a maravilha que eu via – e mais do que via, pois compreendia.

Há uma lenda, bem tardia e provavelmente apócrifa, segundo a qual havia um letreiro na entrada da Academia de Platão, em Atenas: “Não entre aqui quem não conhece Geometria”. Enquanto eu me deleitava com o espetáculo celeste, eu entendia como tantos cientistas e matemáticos, há tantos séculos, vêem a beleza no seu conhecimento.

E eu senti uma profunda gratidão… porque os conhecimentos que me abriam os olhos naquele momento eram a preciosa herança de dezenas de mestres, ao longo de toda a minha vida, que tanto me ensinaram. Aprendi fatos e relações, verdade; mas aprendi, principalmente, a aprender; e aprendi o mais importante, que é o querer aprender, sempre.

Já fui criticado, por vezes asperamente, por sempre querer entender as pessoas e as situações. Em que pesem as críticas e o respeito por quem as proferiu, mantenho minha posição. Sim, quero entender; quero entender outros e quero, sempre, me entender.

Há algumas semanas, ouvi de um amigo que ele já sabia ler, mas que comigo ele aprendeu a entender o que lia. Penso que não posso aspirar a um legado mais significativo.

Ia refletindo enquanto voltava ao hotel, as nuvens agora brancas sob a luz direta do Sol.

As mesmas nuvens, brancas sob a lux do novo dia.