Atividades profissionais e acadêmicas

Meu primeiro vestibular, na UnB, levou-me ao curso de Medicina. Embora fosse uma ambição antiga, logo percebi que não era talhado para a carreira médica e mudei de curso. Interessei-me pelo campo da Computação, então ainda novidade, e fiz vestibular para este curso.

Passei alguns anos no curso de Processamento de Dados da UnB, mudando do curso de curta duração para o de duração plena, mas a indefinição da grade curricular do curso acabou me desencantando após alguns anos. Neste meio tempo, passei quase um ano em São José dos Campos, estudando para ser controlador de tráfego aéreo, mas devido a uma dose cavalar de teimosia acabei sendo expulso do curso.

De volta a Brasília, comecei a trabalhar como programador de computadores, mas a insatisfação com os problemas do curso terminou por me levar a prestar novo vestibular, desta vez para Direito. Não tinha e não tenho grande interesse pela área jurídica; escolhi este curso por ser o que me exigiria menos créditos para a graduação.

Continuei trabalhando como programador enquanto seguia o curso de Direito. Trabalhei na Portobrás, no Ministério das Relações Exteriores, no Ministério da Reforma Agrária, no Ministério da Previdência Social e no Superior Tribunal Militar.

Em retrospecto, posso ver que meus dois cursos forneceram conhecimentos muito úteis. A Computação deu-me a fundamentação para conseguir utilizar bem as ferramentas da nossa Era da Informação; já o Direito deu-me os meios para entender minimamente o sistema jurídico brasileiro — e perceber que há cada vez mais leis concedendo direitos e menos interesse em cumprir as leis que determinam deveres. Continuo achando Direito um assunto muito chato, mas é um conhecimento necessário.

Recém-formado, comecei a prestar concursos e logrei passar no concurso para Consultor Legislativo do Senado Federal. Tive a oportunidade de trabalhar com pessoas formidáveis lá. Apesar da má fama, a maior parte dos funcionários de carreira do Senado é formada por gente que trabalha duro e que tem grande capacidade. É uma pena que quem ganha as manchetes são os picaretas.

Durante meu período no Senado consegui aproveitar uma antiga paixão acadêmica. Sempre fui fascinado pela História e isso me levou a ingressar no mestrado em História das Relações Internacionais, novamente na UnB. Infelizmente não concluí o curso, mas isso me permitiu trabalhar por um ano como professor substituto no curso de graduação em História, uma experiência muito preciosa.

Após minha aposentadoria no Senado, resolvi deixar Brasília para trás e começar uma nova fase, desta vez em Curitiba.

Na UFPR

Ainda antes de deixar Brasília, e pensando em voltar ao mestrado, eu mais uma vez ingressara na UnB, desta vez no curso de graduação em História. Meu raciocínio era que assim eu conheceria melhor o curso e os professores, e isso me daria conhecimentos úteis para o mestrado.

Cursei a disciplina de Introdução aos Estudos da História com o professor Francisco Doratioto. Foi um curso muito bom, bastante estimulante. Perto do fim do semestre, com a mudança para Curitiba já encaminhada, conversei com o prof. Doratioto sobre a minha intenção de procurar o mestrado em História, e ele me recomendou procurar cursar disciplinas do mestrado como aluno especial, antes de prestar o concurso.

Foi uma excelente recomendação e assim o fiz. Depois que me acertei com a vida em Curitiba, fui à UFPR e me inscrevi em uma disciplina da pós-graduação em História, ministrada pela professora Marcella Lopes Guimarães. Foi um estudo muito interessante, concentrado na obra de Georges Duby, que eu pouco conhecia até então.

No semestre seguinte, cursei outra disciplina, desta vez ministrada pelo prof. Renan Frighetto, ao mesmo tempo que prestava o concurso para o mestrado. Não passei no concurso, infelizmente; no ano seguinte, voltei a tentar, mas novamente não passei.

Desde que eu chegara a Curitiba eu estava envolvido com diversas iniciativas para ajudar a fomentar o hobby dos jogos de tabuleiro na cidade, da mesma forma que eu fizera em Brasília por muitos anos. Um dia, um participante em uma destas atividades sugeriu que eu me informasse sobre o curso de Design da UFPR, dizendo que este curso incluía pesquisas sobre jogos.

Fui me informar e comecei a perceber que, de fato, ali eu poderia estudar algo que me fascina há muitos anos. Tentei o concurso uma vez e não passei; a seguir, cursei uma disciplina sobre design de entretenimento digital com o prof. André Battaiola e tentei novamente o concurso. Desta vez passei e tornei-me seu orientando.

Em março de 2015, concluí o mestrado em Design, estudando características formais dos jogos.