Saindo do Círculo

Reflexões provocadas pela volta a casa, após o Retiro Lúdico.

Há algo de estranho e de maravilhoso no retorno a casa, voltando de um evento como o Retiro Lúdico. Passei quatro dias cercado de amigos, jogando, em um hotel muito aprazível. Ontem à noite, chegando a casa, me abrigando de um vento que me acompanhou desde que desci do ônibus, fui marcado pelo contraste: a casa que me acolhia e me chamava de volta ao cotidiano, e as memórias ainda vívidas de quatro dias de uma realidade encantada.

Também ontem, ainda no hotel, eu estava conversando com Larissa, e nos demos conta de que a metáfora do Círculo Mágico também se aplicava ao Retiro Lúdico. Ela observou que, ali, muitas vezes não sabíamos mais de nossos companheiros que seus nomes; mas isso não nos impedia de sentar à mesa com eles, de criarmos e compartilharmos momentos especiais – de alegria, sim, e também das outras emoções que a paleta dos jogos consegue pintar.

Dentro do Círculo Mágico, despimos as máscaras do cotidiano, para podermos portar a máscara de jogador. Uma máscara que mais revela do que esconde.

Entrar no Círculo me concede um poder mágico; mas toda magia tem um preço, tanto mais terrível quanto mais potente é o efeito.

Dentro do Círculo, tenho o poder de ser o que quero ser; o preço é revelar o que sou.

O Quartel-Mestre
O Quartel-Mestre
polímata
filomático
pesquisador
escritor

LUIZ CLÁUDIO, o Quartel-Mestre, the Rules Lawyer, conversa e escreve sobre jogadores e jogos de todos os tipos, sobre ludologia, narrativas, poesia, e mais.

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