Os abraços

Publicado em 17/09/2021



Ainda pensava na analogia dos amigos com as águas, e dela passei a pensar o abraço, este símbolo tão forte da amizade.

Foto de um abraço a meu amigo Claudio
Abraçando Claudio.

Eu sempre fui um tanto reticente com abraços, mesmo com os amigos mais próximos. A distância, durante meus anos em Curitiba, me ajudou a perder um pouco da reticência; mas esta pandemia dos infernos voltou a reforçá-la. Em todo caso, escolhi para ilustrar este texto dois raros flagrantes de abraços meus em amigos queridos, ambos em meu aniversário de 50 anos.

Foto de um abraço a meu amigo Marcelo
Abraçando Marcelo.

Abraços são preciosos. Estreitar alguém em seus braços, sentir a sua proximidade. Reduzir a distância e, por um breve momento, ser um com uma pessoa amada – porque amizade e amor são a mesma coisa, com intensidades diferentes em momentos diferentes.

Há os abraços a braços, claro. Mas há tantos outros!

O abraço da voz – que conforta, brinca, pergunta, conta, troca.

O abraço do olhar – que anseia, promete, aceita, acaricia, espera.

O abraço do beijo, a mais íntima das carícias.

O abraço da ponta dos dedos, da ponta da língua, passeando e explorando.

O abraço das pernas, incentivando e acompanhando o paroxismo da paixão.

Todos estes abraços aproximam e envolvem. Todos eles tocam, mesmo quando não encostam – porque o toque que importa é o da alma. A pele é apenas o caminho que o toque percorre, às vezes, antes de chegar ao seu destino.


Autor

Luiz Cláudio Silveira Duarte

Luiz Cláudio Silveira Duarte

Jogador inveterado, pesquisador de jogos, leitor voraz, polímata. Seus interesses de pesquisa são as regras dos jogos e as relações dos jogadores com as regras. Há muito mais, mas assim está bom para começar.