Bêbado com águas

Publicado em 17/09/2021



Há muito tempo que eu sei: sou afortunado, felix, em meus amigos. Em tudo que recebi deles, por muitos anos.

Pensava no velho ditado – pode-se levar um cavalo à fonte, mas não se pode obrigá-lo a beber. Neste momento, pensei em meus amigos como outras tantas fontes de água, e imediatamente pensei em quantas águas bebi em todos estes anos; a força da analogia me tomou de assalto.

Água – tão preciosa, necessária, essencial, que o primeiro filósofo, Tales de Mileto, o pai da ciência, via nela a origem de tudo.

Águas que refrescam, que saciam, que limpam. Mananciais, torrentes, pingos. Potável, salobra, límpida, salgada, ferruginosa, sulfurosa, cristalina. Por vezes, com impurezas que preciso filtrar ou cuspir.

Meus amigos são as águas para o meu espírito. Que verdadeiro oceano! Singro suas ondas, sempre descobrindo algo novo; nado e mergulho, me alimento neles e deles, enfrento as tempestades e desafio as calmarias. Nunca serei capaz de conhecer seus limites, nunca serei capaz de encontrar seu ponto mais abissal.

Estas são as águas que sempre quero beber, com as quais sempre quero me inebriar.


Autor

Luiz Cláudio Silveira Duarte

Luiz Cláudio Silveira Duarte

Jogador inveterado, pesquisador de jogos, leitor voraz, polímata. Seus interesses de pesquisa são as regras dos jogos e as relações dos jogadores com as regras. Há muito mais, mas assim está bom para começar.