A musa do fogo

Publicado em 17/09/2021 | Series: poesia | haibun



Foto do amanhecer
O céu do amanhecer, com as cores emprestadas à névoa seca, à fuligem e à poeira.

Já na fase final da caminhada de hoje, eu pensava em fontes de inspiração, e lembrei da invocação que Shakespeare usou para abrir o Henry V – “O for a Muse of fire, that would ascend/The brightest heaven of invention” (“Ah, se houvesse uma musa do fogo, que subisse/Ao mais brilhante céu da invenção”).

Poucos momentos antes, eu havia fotografado o céu do amanhecer, maravilhado com as cores, e pensava quanto destas cores vêm de fuligem das inumeráveis queimadas, que tanto têm vitimado nossas matas. Ocorreram-me algumas linhas

  • Ó musa do fogo!
  • Dá-me tua brasa rubra
  • Poupa nossos campos

Mas sou injusto com a musa; não é ela quem incendeia nossas matas, e sim a mão vil, desapiedada, que se vangloria na sua covardia.


Autor

Luiz Cláudio Silveira Duarte

Luiz Cláudio Silveira Duarte

Jogador inveterado, pesquisador de jogos, leitor voraz, polímata. Seus interesses de pesquisa são as regras dos jogos e as relações dos jogadores com as regras. Há muito mais, mas assim está bom para começar.