Felix

Publicado em 21/06/2021 | amor, amizade



Em latim, Felix não significa “feliz”, mas “afortunado”. Se usássemos os nomes à moda latina, com um cognomen seguindo-se ao nome, eu certamente poderia adotar Felix, como fez o ditador L. Cornellius Sulla.

Porque o fato é que eu sou mesmo afortunado. Isso não quer dizer que eu não tenha problemas, ou que nunca os tenha enfrentado. Ninguém está livre de problemas, cada um sabe onde lhe aperta o sapato.

Minha fortuna é outra: são os meus amigos. Homens e mulheres muito especiais, que ao longo de décadas me apoiaram sem cessar.

Apoios tão variados quanto são estas pessoas. Levando-me a um hospital no meio da noite, representando=me em um procedimento administrativo, incentivando-me, confiando em mim, trabalhando comigo, jogando comigo… o importante não era o que era feito, e sim o fato de eu saber que tantas pessoas estavam ao meu lado – ainda que silenciosas – ainda que geograficamente distantes.

Uma das maravilhas dos nossos meios de comunicação é reduzir o efeito da distância geográfica sobre as amizades. E eu me valho disso o tempo todo, conversando com amigas e amigos, sempre que posso.

Há efeitos interessantes na conversa com uma pessoa amiga. Mesmo que seja apenas uma conversa banal, ela recarrega as minhas energias. Se é uma conversa sobre um problema, esta recarga energética me ajuda a ter forças para enfrentar o problema. E ainda há algo de maravilhoso aqui: porque a pessoa amiga não carrega o peso do meu problema, que ela frequentemente nem tem como conhecer ou carregar; mas ela me conhece, e sabe como me carregar.

Uma escritora americana, Esther Pauline Lederer, escreveu por anos sob o pseudônimo Ann Landers. Encerro com um texto dela, e uma ilustração que fiz com base nele.

Amor é amizade que pegou fogo. É entendimento silencioso, é confiança mútua, compartilhar e perdoar. É lealdade nos momentos bons e nos momentos ruins. Ele aceita menos que a perfeição, e aceita as fraquezas humanas. O amor está contente com o presente; ele tem esperanças para o futuro, e não se preocupa com o passado. Ele é a crônica cotidiana das irritações, problemas, compromissos, pequenas decepções, grandes vitórias e objetivos comuns. Se você tem amor em sua vida, ele consegue substituir muitas outras coisas que podem faltar. Se você não o tem, não importa o que mais você tenha, não será o bastante.

Frase de Ann Landers


Autor

Luiz Cláudio Silveira Duarte

Luiz Cláudio Silveira Duarte

Jogador inveterado, pesquisador de jogos, leitor voraz, polímata. Seus interesses de pesquisa são as regras dos jogos e as relações dos jogadores com as regras. Há muito mais, mas assim está bom para começar.