Estrelas

Publicado em 04/06/2021 | Category: | estrelas, fotografia, Silmarillion



Ontem, eu retornava a meu apartamento, no início da noite, quando notei algumas estrelas brilhantes logo sobre o prédio. A luz da entrada estava apagada – talvez queimada? Qualquer que fosse o motivo, a pouca iluminação me motivou a tentar fotografar as estrelas que brilhavam em meu caminho.

fotografia noturna
Foto do céu sobre meu apartamento

A câmera de meu celular é boa, mas fotos noturnas são sempre difíceis. Editei brilho e contraste na foto acima, para realçar as estrelas. Mesmo assim, a imagem não é boa.

A estrela mais brilhante, à esquerda, é α Centauri, Alfa Centauro, acompanhada por β Centauri, Beta Centauro. Dois sistemas estelares triplos, o primeiro deles o nosso vizinho mais próximo no universo.

À direita do Centauro, mais fracas, as estrelas da nossa querida Crux, a constelação do Cruzeiro do Sul.

Lembrei de um dos belos trechos do Silmarillion, de J. R. R. Tolkien:

Afastou-se então Varda do conselho; das alturas da Taniquetil ela contemplou a escuridão da Terra-média, sob as inumeráveis estrelas, pálidas e distantes. Começou ela, neste instante, uma enorme faina, a maior de todas as obras dos Valar desde sua chegada a Arda. Tomou os orvalhos prateados dos tonéis de Telperion, e com eles fez novas estrelas, mais brilhantes, para a chegada dos Primogênitos. Seu nome, desde os tempos mais profundos, desde a construção de Eä, era Tintallë, a Acendedora; mas, por causa deste trabalho, os Elfos mais tarde a chamaram Elentári, Rainha das Estrelas. Naquele momento, ela criou Camil e Luinil, Nénar e Lumbar, Alcarinquë e Elemmírë; muitas outras das estrelas mais antigas ela reuniu e dispôs como sinais nos céus de Arda: Wilwarin, Telumendil, Soronúmë e Anarríma; e Menelmacar, com seu cinturão cintilante, prenúncio da Última Batalha, que ocorrerá no final dos tempos. E bem alto, no norte, como um desafio a Melkor, ela alçou a coroa de sete estrelas poderosas – Valacirca, a Foice dos Valar, sinal do destino.

Diz-se que, mesmo no momento em que Varda encerrou sua faina, que foi demorada; quando pela primeira vez Menelmacar galgou os céus, e a chama azul de Helluin cintilou nas névoas acima dos limites do mundo; nesta hora os Filhos da Terra despertaram, os Primogênitos de Ilúvatar. Perto da lagoa de Cuiviénen, a Água do Despertar, iluminada pelas estrelas, eles acordaram do sono de Ilúvatar. Ainda estavam em silêncio, junto a Cuiviénen, e seus olhos contemplaram, antes de qualquer outra coisa, as estrelas no céu. Desde então eles amam o brilho das estrelas, e reverenciam Varda Elentári acima de todos os outros Valar.


Autor

Luiz Cláudio Silveira Duarte

Luiz Cláudio Silveira Duarte

Jogador inveterado, pesquisador de jogos, leitor voraz, polímata. Seus interesses de pesquisa são as regras dos jogos e as relações dos jogadores com as regras. Há muito mais, mas assim está bom para começar.