2017-05-23

Ainda sou, de coração, candango. Por isso, fico ao mesmo tempo feliz e triste ao ler as notícias da prisão de Arruda, Agnelo e Filipelli.

A parte da tristeza fica ainda maior quando leio, em uma das reportagens sobre Arruda:

Depois de um discurso na tribuna em que chorou e jurou inocência em nome da família, ele acabou admitindo depois a irregularidade. Mesmo assim, voltou ao Congresso em 2003, eleito como o deputado mais bem votado do Brasil. (Congresso em Foco, 23/05/2017)

Arruda não foi, em 2002, o mais votado do Brasil, em número de votos; foi o mais votado em proporção de eleitores (26,53% dos votos válidos no DF). Teve, realmente, uma votação expressiva: 320.692 votos.

Em outras palavras: mais de trezentos mil eleitores da minha terra adotiva não se incomodaram minimamente com a canalhice confessa de Arruda — e, quatro anos depois, pouco mais que o dobro deste número de eleitores deram-lhe a vitória, em primeiro turno, quando foi candidato ao governo do DF.

Três anos depois, desta vez sem choro na tribuna, foi preso.

Não sei se Arruda usa a desculpa da moda e se declara ingênuo . Mas sei que as centenas de milhares de meus conterrâneos não foram ingênuos.

Foram coniventes.

Foram, na melhor das hipóteses, criminosamente desinformados.

O mesmo raciocínio, claro, aplica-se a muitos bandidos de estimação , que meus compatriotas teimam em eleger e reeleger, por todo o país.

É muito fácil dizer que o povo é manipulado , ou que a zelite não qué que os trabalhador estude .

Eu já dei meu literal voto de confiança a pessoas que, depois, mostraram ser indignas dele. Todos passamos por isso, é da natureza da democracia e da humanidade.

Mas aprender com os erros é mais do que humano — é necessário.

O Quartel-Mestre
O Quartel-Mestre
polímata
filomático
pesquisador
escritor

LUIZ CLÁUDIO, o Quartel-Mestre, the Rules Lawyer, conversa e escreve sobre jogadores e jogos de todos os tipos, sobre ludologia, narrativas, poesia, e mais.

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