2016-09-15

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Há três dias, eu conversava, em casa, sobre a operação Lava-Jato, e comentava que os sucessos desta operação se assemelhavam ao processo e condenação de Al Capone em 1931. Responsável por inúmeros crimes graves, o mafioso foi preso pelo crime, aparentemente menor, de evasão fiscal. Mas foi preso.

Meu comentário levava a analogia com a situação americana mais adiante. O público americano só ficou sabendo da existência da Máfia em 1963. Eu comentei que ainda fazia falta, nas investigações, a divulgação da estrutura do esquema criminoso, com as relações entre os diversos crimes — que não foram cometidos de forma independente entre si, mas que atendiam a um projeto mais amplo.

Dois dias depois, sou brindado com a entrevista coletiva do Ministério Público Federal em Curitiba. Obrigado, senhores procuradores!

A primeira notícia que vi sobre a coletiva mostrava o gráfico que apresentaram, colocando Lula no centro do esquema. Outra analogia; em 1963, o FBI apresentou um mapa dos EUA, mostrando a localização territorial das principais famílias mafiosas. Organogramas de funcionamento dos esquemas criminosos tornaram-se lugar-comum em investigações deste tipo.

Leio agora que muitos estão fazendo piada com o gráfico do MPF. Pensando em termos de design gráfico, ou em termos de organização da informação, ele é muito ruim mesmo. É um perfeito exemplo do que é conhecido como Death by PowerPoint . Mistura tipos e níveis diferentes de informações, é visualmente carregado… os problemas são muitos.

Este é o seu principal mérito.

Ele mostra, claramente, que não foi feito por um profissional de comunicação — como um marqueteiro. Foi feito por profissionais de Direito, que não conhecem e não têm tempo de aprender técnicas de design gráfico. Não faz parte de uma campanha publicitária cuidadosamente orquestrada, na qual o espetáculo substitui o conteúdo. Não incluiu uma marca vistosa. Não incluiu hashtags.

Não é o gráfico o que mais importa, felizmente. O que importa é revelar a organização criminosa. E isto está sendo feito.

O Quartel-Mestre
O Quartel-Mestre
polímata
filomático
pesquisador
escritor

LUIZ CLÁUDIO, o Quartel-Mestre, the Rules Lawyer, conversa e escreve sobre jogadores e jogos de todos os tipos, sobre ludologia, narrativas, poesia, e mais.

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