2015-01-21

A propósito da disputa pelo nome Retiro Lúdico , confesso que fiquei surpreso com a sua repercussão, nas listas e no Facebook. Houve comentários favoráveis e desfavoráveis. Perfeitamente normal; não busco unanimidade e, como disse ontem, acredito que este tipo de discussão seja saudável para a comunidade.

Por outro lado, lamento que muitos comentários tenham partido para insultos e ofensas pessoais. Eu já disse em outra ocasião que prefiro atacar ideias e não pessoas. Infelizmente, alguns locais da Internet (como o Facebook) pouco se prestam ao debate de ideias, e são muito mais usados para exposição de ideias, o mais das vezes preconcebidas.

As mensagens que enviei para o Ricardo Costa foram publicadas, por mim e por ele. Uma leitura minimamente atenta dos textos revela que, nas mensagens do dia 6 e do dia 19, não pedi a ele que deixasse de usar o nome, nem lhe pedi que cancelasse o evento, ou qualquer outra ação. Ao contrário, eu pedi que ele fizesse uma proposta de adequação.

Havia várias possibilidades. O nome poderia ser mudado, por exemplo; ou poderíamos chegar a uma autorização de uso; e tenho certeza de que há outras possibilidades. Mas — naquele momento — eu queria que ele fizesse a proposta.

A primeira resposta dele, no sábado, não era encorajadora. Ele queria saber se o nome era registrado, e disse que só responderia de posse desta informação.

Quando eu lhe disse, na segunda, que o nome não era registrado, não recebi resposta. Mais tarde, descobri que ele respondera pelo Facebook, e eu não vira a mensagem. Confesso que não sei porque responder pelo Facebook, quando as mensagens anteriores tinham sido trocadas por e-mail. Minhas páginas (no meu site pessoal, no Facebook, e nas informações do Retiro Lúdico) todas informam claramente que eu quase não uso o Facebook, e que não recebo notificações dele. Por outro lado, não entendo porque o uso de um celular permitiria usar o Facebook, mas não o Gmail, como o Ricardo disse.

Muito bem. A minha mensagem na segunda foi acompanhada de uma mensagem para os patrocinadores do evento. Nesta mensagem, após relatar brevemente a disputa, o ponto principal era este:

Estou em contato com o Ricardo Costa, organizador do evento, para procurar resolver esta situação. De qualquer maneira, achei conveniente informar você sobre o caso, para que não seja apanhado de surpresa por alguma consequência inesperada da disputa.

Na terça-feira, ante a falta de resposta ao meu e-mail da véspera, mandei um novo e-mail para o Ricardo, desta vez em tom incisivo. Como ele não tinha apresentado uma proposta, apresentei a minha posição:

  1. Uma vez que não autorizei o uso do nome, exijo que você retire a expressão ‘Retiro Lúdico’ de todo o material — promocional, administrativo, comercial, ou de qualquer outra natureza — referente ao seu evento.

Também noticiei o fato nas principais listas de e-mail dedicadas a jogos, e na Ludopédia. Em todas estas mensagens, o ponto principal, destacado, era este:

No entanto, quero deixar claro que o uso do nome Retiro Lúdico para o evento de Natal é indevido e abusivo, e ocorre sem minha autorização.

Mais tarde, o Ricardo me enviou um e-mail, dizendo que respondera pelo Facebook. Li então a mensagem da véspera, e uma nova mensagem daquele dia, na qual ele dizia que mudaria o nome do evento. Ele assim o fez, e eu noticiei o fato nos mesmos lugares onde publicara o caso:

Segundo, recebi há pouco mensagem do Ricardo Costa, organizador do evento de Natal. Ele declarou que vai modificar o nome do evento. Na página do Facebook, o nome do evento mudou para ‘Ludoretiro Natal’ (o endereço https://www.facebook.com/groups/retiroludico/ não foi modificado, mas isso é determinado pelo Facebook e não pelo Ricardo).

Vou continuar acompanhando o caso, mas acredito que o problema tenha sido superado.

Mais tarde, recebi um telefonema de um amigo, avisando que a discussão estava fervendo no Facebook. Fui dar uma olhada, e lá encontrei uma mensagem que o Ricardo Costa colocou no grupo Boardgames Brasil, e na qual anunciava que cancelou o evento, porque os patrocinadores retiraram o patrocínio.

Infelizmente, Ricardo não leu atentamente as mensagens que enviei a ele. Por exemplo, em seu texto ele diz que eu pedi no dia 16 que ele alterasse o nome — não o fiz. Ele disse que eu ameacei os patrocinadores de entrar na justiça — não o fiz. Divulguei na Ludopédia, na BG-BR e em outros canais — mas em nenhum momento o acusei de falta de caráter, de má fé, ou qualquer outra coisa que o desabonasse.

Ricardo sequer entendeu a minha referência ao nome do link — como se pode ler acima, eu o isentei de responsabilidade, pois não cabe a ele e sim ao Facebook alterar o link.

Finalmente, Ricardo me acusa de ter publicado as mensagens de forma incompleta. Seja. Gostaria que alguma das pessoas que recebeu estes textos, nas mensagens em que publiquei o assunto, indicasse as omissões. Procurei não omitir nada, mas posso estar errado; de qualquer maneira, fazer acusação genérica não é um comportamento adequado em uma discussão que se pretende civilizada.

Ricardo se dirige a mim como Advogado Luiz. Sou de fato advogado, e só chamei a atenção para este fato na segunda mensagem que enviei a ele, pois ali tratava-se de discutir uma questão de interpretação de lei. E, justamente porque é um ponto suscetível de discussão, fiz o que qualquer advogado recomenda nestes casos: consulte você também um advogado. Dizer para consultar um advogado não é o mesmo que dizer constitua um advogado, porque você vai ser processado .

Bem. Vários comentários sugerem, em tom mais ou menos odiento, que eu me considero dono da marca Retiro Lúdico , e que este nome não pode ser uma marca, pois une duas palavras do léxico cotidiano.

Esta última interpretação não procede. Vejamos alguns casos: uma marca composta por um nome genérico de calçados e um adjetivo pátrio ( sandálias havaianas ), uma marca composta por um nome de vegetal e uma substância química ( coca-cola ), uma marca composta por dois substantivos comuns ( águas prata ).

Bem, retiro é uma palavra comum, associada com mais frequência a atividades de contemplação espiritual. Lúdico , naturalmente, diz respeito à diversão e aos jogos. Mas a união destas duas palavras ainda não acontecera, com o sentido de designar um evento de jogos em um hotel, durante um fim de semana, até que eu o fizesse.

E chego assim ao ponto principal. Tanto quanto eu saiba, o conceito de um retiro lúdico é fruto de uma discussão que eu iniciei (em janeiro de 2013, na BG-BR e outros locais) e que eu concretizei. Realizei já três edições e estou a caminho da quarta. Organizar eventos assim não é uma tarefa trivial, pois envolve um grande comprometimento de tempo.

Tenho orgulho do fruto de meu trabalho. E quero que o meu trabalho seja respeitado.

O Retiro Lúdico não tem propósito comercial. Nunca procurei patrocínio ou parceiros comerciais. E a ausência de patrocínio nunca impediu a sua realização.

Reitero: não ameacei ninguém com processo judicial, e sequer pedi que o evento do Ricardo fosse cancelado. Tampouco fui ofensivo ou sarcástico, embora tenha sido incisivo na mensagem de terça-feira.

Algumas das críticas que foram feitas são bastante relevantes, e agradeço por elas. Agradeço também aos que comentaram que queriam ouvir o outro lado , pois isso é de fato necessário em uma situação assim.

Lamento pelos ataques pessoais, e lamento especialmente pelos que demonstraram sequer terem lido os textos antes de se manifestarem. Em uma mensagem particular, por exemplo, li Parabenizo-o pq são atitudes como a sua e sempre visando lucro q impedem q o RPG estoure de uma vez por todas nesse país — para depois fazer um insulto direto.

Li uma vez uma frase: a invectiva somente desonra seu autor . Gosto de pensar assim. Obrigado pela paciência de ler até aqui.

O Quartel-Mestre
O Quartel-Mestre
polímata
filomático
pesquisador
escritor

LUIZ CLÁUDIO, o Quartel-Mestre, the Rules Lawyer, conversa e escreve sobre jogadores e jogos de todos os tipos, sobre ludologia, narrativas, poesia, e mais.

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