Pendragon

Publicado em 19/05/2011 | RPG, resenha



Pendragon é um sistema de RPG, criado por Greg Stafford e publicado originalmente pela Chaosium (1ª edição, 1985; 3ª edição, 1990; 4ª edição, 1993), depois pela Green Knight (reimprimindo a 4ª edição em 1999) e pela White Wolf (5ª edição, 2005). Desde 2009, a licença está nas mãos da Nocturnal Media, empresa fundada por Stewart Wieck.

A ambientação de Pendragon é uma das mais ricas da história da literatura: a “Matéria da Bretanha” (Matter of Britain), o conjunto de lendas criadas em torno da figura do rei Arthur, filho de Uther Pendragon. Assim, os personagens de Pendragon são também os personagens das lendas arturianas da Baixa Idade Média; notadamente os cavaleiros.

Incidentalmente, ao concentrar o foco da narrativa nos feitos de cavaleiros, Pendragon torna-se um jogo machista. Como na sociedade retratada nas lendas medievais, as raras personagens femininas existem quase que apenas na medida de sua relação com personagens masculinos. É com estes e para estes que os acontecimentos ocorrem. Destarte, Pendragon traz poucos atrativos para mulheres jogadoras, a não ser que resignem-se a papéis menores ou à difícil opção de tornarem-se cavaleiras (secreta ou ostensivamente).

Mas, no mundo dos cavaleiros, Pendragon brilha. E brilha com uma luz toda própria, pois seu sistema de jogo não guarda semelhança com outros sistemas.

Efetivamente, Pendragon exige que o jogador mantenha um ponto de vista bem próximo daquele de um personagem das história originais. E consegue isso apoiando-se em um recurso da mecânica do jogo, não dependendo apenas da capacidade de desempenho do jogador. Para isso, além das esperadas perícias e características, cada personagem tem como parte de sua descrição um conjunto de traços de personalidade e de paixões que descrevem a sua personalidade em termos relevantes para o período.

Por exemplo, Sir Ambrut pode ser um cavaleiro conhecido por sua Misericórdia, ao passo que Sir Damas pode ser um cavaleiro Orgulhoso. E ambos podem se inspirar em sua paixão pela dama Elaine para alcançar feitos de armas notáveis.

As descrições de personalidade não são empregadas apenas na caracterização dos personagens. Com efeito, e seguindo as lendas, um certo desafio (por exemplo) somente pode ser vencido por um cavaleiro que passe em um lance de Castidade…

Outra característica marcante do sistema é que ele pressupõe que os jogadores terão uma linhagem de personagens, com os filhos e netos da primeira “geração” de personagens sucedendo-os no campo de aventura. Com efeito, a campanha “oficial” - The Great Pendragon Campaign - estende-se por mais de oitenta anos, desde o reinado de Uther até o fim do reinado de Arthur.

O sistema de jogo, inspirado no BRP da Chaosium, emprega um d20 para resolução de ações. Como os cavaleiros são os protagonistas das histórias, as regras os favorecem - mas somente até certo ponto. O combate é mortífero. Não existem curas mágicas; um mau resultado em um combate pode deixar o personagem fora de ação por semanas.

Quanto à magia: ela existe, mas está completamente fora das mãos dos jogadores e inteiramente sob o controle do mestre. Assim, não há personagens magos, druidas, ou coisa parecida. (As regras da 4ª edição incluíam regras para personagens magos).

Em suma: Pendragon é uma excelente adaptação das lendas arturianas ao universo dos RPGs. Vale a pena conhecê-lo.


Autor

Luiz Cláudio Silveira Duarte

Luiz Cláudio Silveira Duarte

Jogador inveterado, pesquisador de jogos, leitor voraz, polímata. Seus interesses de pesquisa são as regras dos jogos e as relações dos jogadores com as regras. Há muito mais, mas assim está bom para começar.