Resenha -- Tribune

Tribune: Primus Inter Pares (http://www.boardgamegeek.com/game/30957) é o novo jogo de Karl-Heinz Schmiel, o celebrado autor de Die Macher. Trata-se de um jogo de colocação de trabalhadores e gerenciamento de cartas, ambientado na antiga Roma.

Embora meu interesse por Tribune tenha sido despertado pelo tema, o jogo não tem qualquer pretensão de historicidade; há nas regras uma seção exprimindo isto de forma inequívoca. Ainda assim, o tema em Tribune foi bem trabalhado.

Mas este não é um jogo que revolve em torno ao tema e sim às mecânicas, como Shadows Over Camelot. Neste ponto Tribune não apresenta nada de inovador, reutilizando mecânicas consagradas. Assim, temos colocação de trabalhadores, leilões fechados, e gerenciamento de cartas em busca de conjuntos do mesmo tipo.

O jogo apresenta oito “facções” políticas de Roma, incluindo não apenas plebeus, patrícios e o Senado, como se poderia esperar, mas também os gladiadores e as vestais(?). A dinâmica do jogo centra-se no controle destas facções. Cada carta do jogo indica a que facção pertence e qual a sua pontuação; o jogador que baixar cartas de uma facção valendo mais pontos torna-se o controlador da facção. Tomar o controle de uma facção dá ao jogador um benefício imediato — por exemplo, o controle de uma legião — e um benefício mediato — como a eleição de um tribuno.

O objetivo do jogo é conseguir algumas dentre um conjunto de condições de vitória — por exemplo, eleger um tribuno, controlar cinco legiões, ter quarenta denários, et coetera. O controle das facções é o meio utilizado para conseguir quase todas estas condições; somente duas podem ser conseguidas sem este controle. As condições de vitória são diferentes conforme à quantidade de jogadores e conforme ao tempo desejado para a partida, que normalmente parece ficar em torno a duas horas.

A maior parte do tabuleiro consiste em espaços onde os jogadores podem adquirir mais cartas, por intermédio de leilões, seleções fechadas, compra, e assim por diante. O tabuleiro é muito bem feito, mas senti falta nele de um espaço para o maço de cartas e um espaço para o descarte. As cartas, aliás, têm um formato estreito e comprido, dificultando a sua colocação em protetores.

De forma geral, o jogo funciona bem. Há várias decisões a tomar, mas não há muita interação entre os jogadores, exceto pela tomada de uma facção controlada por outro e pelos leilões ocasionais. Uma vez atingidas, as condições de vitória não podem ser perdidas, o que desencoraja alianças do tipo abaixo-o-líder. Nas duas partidas que disputamos a pontuação final foi bem apertada (um empate na primeira e uma vitória por um ponto na segunda), o que manteve a tensão do jogo até o final.

O que mais me incomoda em Tribune é a falta de um peso maior do tema. Como estudioso do assunto e ex-professor de história de Roma, perturbam-me o latim fajuto (“House Fabii”, por exemplo; é raro o jogo romano que acerte o latim) e os anacronismos. Mas, como mencionei acima, o jogo não se pretende histórico, portanto esta é possivelmente uma crítica pouco apropriada.

Em suma, Tribune é um jogo peso-médio, levemente temático e construído em volta a mecânicas já consagradas. É um jogo decente, embora não seja nenhum campeão.

O Quartel-Mestre
O Quartel-Mestre
polímata
filomático
pesquisador
escritor

LUIZ CLÁUDIO, o Quartel-Mestre, the Rules Lawyer, conversa e escreve sobre jogadores e jogos de todos os tipos, sobre ludologia, narrativas, poesia, e mais.

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